Afeganistão – Entrevista Ustad Fazel Sapand #5 – Sitar (13/07/23)

Afeganistão – Entrevista Ustad Fazel Sapand #5 – Sitar (13/07/23)

Fazel veio para o estúdio da Rádio Olisipo para contar um pouco sobre a sua história e sobre a sua cultura. Oriundo de Herat (Afeganistão), estudou em Kabul e hoje reside em Lisboa, onde atua como músico e professor.

Durante a entrevista Fazel, mostra o sitar (instrumento indiano), explica as características do instrumento e toca algumas peças.

Fazel está disponível para dar aulas de vários instrumentos ligados à música clássica indiana: sitar, rubab, tablas, harmonium entre outros.

Esta entrevista foi realizada no estudio da Radio Olisipo no Largo Residências, Lisboa 11/07/23.

Boa escuta!

André Seravat & Blacci – Conflito (2023) (single) ID

André Seravat & Blacci – Conflito (2023) (single)

André Seravat edita hoje o aguardado EP de estreia “Pontos Finais”. O lançamento composto por 6 canções é uma reflexão sobre a vida do artista, uma fase terapêutica de autodescoberta, em que encontrou resiliência e equilíbrio emocional, entre as lutas, triunfos e perdas que foi enfrentando.
“O EP “Pontos Finais” não é apenas sobre o encerramento de capítulos, mas também sobre a libertação e a cura que vêm com a aceitação. Exploro uma variedade de temas desde relações e inseguranças até ao peso do passado e a necessidade de seguir em frente”, revela o cantor. “Através de sonoridades distintas, desde baladas pop, canções R&B e até produções dance-pop, cada música tem uma narrativa profundamente pessoal, servindo como um testemunho da minha jornada interior, do meu crescimento enquanto pessoa e da afirmação da minha própria identidade”, diz ainda.  
Entre os colaboradores de André Seravat em “Pontos Finais” estão Gonzalo Tau, Riic Wolf e Tyoz e os produtores Hits Mike e Diogo Costa. O EP chega com o novo single ‘Conflito’, dueto com a luso-brasileira Blacci.

“A faixa ‘Conflito’ fala sobre uma relação que acabou e cada um de nós conta o seu lado da história, destacando os desafios, ciúmes e discussões que muitas vezes persistem, mesmo após o final de um relacionamento. A forma como a Blacci canta e escreve inspira-me muito”, afirma o cantor.

“Participar nesta música com o André Seravat foi muito especial, não só pela sua energia mas também pelo tema incrível. Escrever este verso foi como um desabafo e acho que a nossa música vem para somar ao panorama pop nacional”, diz Blacci.
 
O tema ‘Conflito’ é disponibilizado com um visual realizado por António Medeiros, que acompanhou a narrativa imagética das novas canções de “Pontos Finais”. Além do novo tema, o primeiro EP de André Seravat inclui os singles ‘Sala de Espera’, editado no final de outubro, a canção dance pop ‘Fora da Lei’, que já ultrapassou os 100 mil streams, e ‘Alguém’, que contabiliza mais de 200 mil streams nas várias plataformas digitais, entrou nas 50 Canções Virais no Spotify Portugal e ganhou airplay diário na RFM e noutras rádios nacionais. 
O EP de estreia de André Seravat será apresentado ao vivo, com banda, a 11 de novembro, pelas 18h30, na FNAC Santa Catarina, no Porto.

Natural de Vila Nova de Gaia, o cantor, compositor e ator André Seravat participou na mais recente temporada do The Voice Portugal com o grupo Good Habits, integrando a equipa de Diogo Piçarra.

Depois do programa de televisão, editou o single a solo ‘Alguém’. Composta em parceria com Tyoz – cantor e compositor português que já trabalhou com nomes como Bárbara Bandeira, Blaya, SYRO, Anitta e Madonna, a canção apresenta uma mistura de sonoridades Pop e R&B, com um refrão viciante e um videoclipe realizado por Diogo Costa, o produtor da faixa. Seguiu-se o tema ‘Fora Da Lei’, uma viragem para a sonoridade dance pop, acompanhado por um videoclipe com a participação da influencer digital portuguesa Mariana Bossy, e os mais recentes ‘Sala de Espera’ e ‘Conflito’, este último um dueto com Blacci.

Com influências variadas no mundo da música, como Lil Nas X, Miley Cyrus e Freddie Mercury, o artista André Seravat é, também, um sucesso no online, com mais de 50 mil seguidores nas redes sociais e mais de 4 milhões de visualizações no TikTok.

Mendel – Moonliht Talks VF (2023) (single)

Mendel – Moonliht Talks VF (2023) (single)

Sebastião Pinto dos Santos aka Mendel, é um jovem músico em ascensão e em busca de afirmação no panorama nacional.

Mendel, cresceu envolto num ambiente musical, tendo começado com 5 anos a aprender piano, instrumento que está na génese de todas as suas composições!

Jazz, R&B e Pop são alguns dos seus estilos favoritos, o que reflete o seu gosto diversificado que ultrapassa as barreiras entre os diferentes estilos.

O jovem artista procura focar-se na criação de uma identidade musical que toque em pessoas de todas as idades, tentando em cada canção partilhar um bocadinho da sua visão sobre o mundo.

Nesta sequência, nasceu “Moonlight Talks ”, o quarto single do artista que com uma sonoridade suave e introspectiva termina um ciclo de “love songs” lançados no último ano e meio!

Nome do projeto artístico : Moonlight Talks
Nome da pessoa : Sebastião Pinto dos Santos (Mendel)
Redes Sociais : Instagram – @sebastiaoo_25/ TikTok – @mendelpds

Fumaça #3: Le Trio Joubran: o oud é uma arma (Reportagem)

Fumaça #3: Le Trio Joubran: o oud é uma arma (Reportagem)

Samir Joubran nasceu na Nazaré, Palestina. É um dos três irmãos que compõe a banda Le Trio Joubran, a quarta geração de tocadores de oud da família. “Eu gostava que a nossa música não fosse política”, diz, “mas enquanto a Palestina estiver ocupada, a nossa identidade musical continuará sob ocupação”. Ouve aqui a reportagem.
Fumaça é um projeto de jornalismo independente, progressista e dissidente de acesso livre e sem publicidade. Acreditamos que é possível ser totalmente financiados por quem nos ouve, vê ou lê. Se queres continuar a ouvir entrevistas como esta e fazer parte da nossa comunidade, contribui em http://bit.ly/2TyPKCO

PUBLICADO
quinta-feira, 28 de março de 2019, 5:09 AM

[Este episódio foi produzido para ser ouvido, não apenas lido. O que se segue abaixo é a transcrição e tradução integral de toda a peça áudio.]

Há quase um ano publicámos o primeiro episódio da série documental “Palestina, histórias de um país ocupado”. Quem a ouviu sabe que uma grande parte da banda sonora é composta por músicas da banda Le Trio Joubran. O grupo veio a Portugal a semana passada para dois concertos em Lisboa e Évora e falámos com eles.

Para perceberes melhor as referências e o contexto histórico desta conversa ouve primeiro os seis episódios da série “Palestina, histórias de um país ocupado”.

TRANSCRIÇÃO

Em 1948, mais de 800 mil palestinianas e palestinianos foram expulsas das suas casas. Durante a Nakba – ou catástrofe, em português -, mais de 500 vilas desapareceram do mapa, destruídas pelas forças militares do recém-criado Estado de Israel. Nazaré, uma das maiores cidades do norte da Palestina, foi das únicas a manter-se de pé. Resistiu à limpeza étnica e albergou milhares de famílias que fugiam da morte. A família Joubran foi umas delas.

Samir Joubran:
Acho que foi um caos, um desastre. Um desastre para todo o povo Palestiniano, para a nossa história.

Samir, Wissam e Adnan Joubran nasceram em Nazaré. Para Samir, o mais velho dos três, a palavra “ocupação” tem mais do que um sentido. Há a ocupação da Palestina, que existia há já mais de duas décadas, ainda ele não era nascido. E há uma outra, mais bonita, diz: foi ocupado pelo oud, um instrumento de cordas criado há milhares de anos.

oud é um dos mais importantes instrumentos do mundo árabe e Hatem Joubran, pai dos irmãos, um dos seus mais reconhecidos luthiers, o nome dado aos artesãos que fabricam ou reparam instrumentos de corda com caixa-de-ressonância. Os irmãos Joubran são a quarta geração de luthiers e tocadores de oud desta família. Em 2004, formaram a banda Le Trio Joubran e, no final do ano passado, lançaram o seu sexto álbum, “The Long March”, que serve de homenagem a Mahmoud Darwish, talvez o maior poeta palestiniano do último século, falecido em 2008. O nome do álbum, tal como o título de todas as músicas que o compõe, são citações do seu poema “O Penúltimo discurso do ‘Índio Vermelho’ ao homem branco”.

Samir Joubran recebeu-nos no Salão Nobre do Teatro da Trindade, em Lisboa, depois dos testes de som de mais de três horas e cinco antes de um de dois concertos que deram na semana passada em Portugal. A conversa foi dura, difícil, mas nunca tão dura quanto a realidade de quem sofre uma ocupação que se perpetua no tempo e que parece não ter fim. 

Seja toda a gente bem-vinda ao Dois Pontos: um programa Fumaça de histórias contadas com tempo. Eu sou o Ricardo Esteves Ribeiro.

Samir Joubran: 
Para mim, a Palestina é a semente que a minha avó me ofereceu da sua terra, antes de 1948. Ela veio em 1948 para Nazaré e esta pequena semente é a esperança que eu vivo hoje. Se lhe juntares água e ar, pode crescer. Para mim, a Palestina não é uma bandeira ou uma geografia. É uma noçãodo que é ser humano, de que merecemos viver sem ocupação. Nós merecemos viver sem qualquer violência, nós merecemos viver num sítio onde possamos cheirar as árvores e cheirar as flores sem ter de cheirar o gás das bombas; sem ódio. Nós não podemos viver hoje em paz enquanto a ocupação estiver deitada na nossa cama.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Nazaré é amplamente considerada como uma das poucas cidades ou vilas que não se renderam à ocupação, expropriação de terras e limpeza étnica durante a Nakba, em 1948. Podes explicar essa história

Samir Joubran:
Eu não tinha ainda nascido para poder explicar isso, mas a história conta que Nazaré era a maior cidade do Norte da Palestina. E muitas pessoas abandonaram as suas casas durante a Nakba, em 1948, vieram de pequenas vilas para a cidade Nazaré. Penso que por causa do medo de tudo o que acontecia nos arredores da cidade de Nazaré. As pessoas fugiram do medo e da matança desses sítios e vieram para a cidade de Nazaré.

Samir Joubran:
Algumas pessoas fugiram de Nazaré para o norte, até ao Líbano ou à Síria, e hoje são refugiados. Estes são os refugiados que estão no Líbano. A maior parte deles são do norte da Palestina e, quando fugiram, acharam que iriam voltar passadas uma ou duas semanas. Ainda hoje têm as chaves com eles.

A família de Mahmoud Darwish é uma das que mantém a chave da casa que foi forçada a abandonar, em 1948. Numa carta escrita 40 anos depois, Darwish descreve como o exílio parecia ser apenas temporário: “Deixámos tudo como estava: o cavalo, ovelhas, o boi, portas abertas, jantar quente, o chamamento para a reza da tarde e o rádio sozinho – talvez tenha ficado ligado até hoje para transmitir as notícias das nossas vitórias”.

Samir Joubran nasceu e cresceu na cidade de Nazaré que, hoje, integra o território a que a maioria dos países do ocidente chama Israel. Ao contrário das pessoas que vivem do outro lado do muro da separação que Israel construiu, Samir pode viajar para qualquer parte Palestina.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Como é viver com um cartão de cidadão ou passaporte israelita?

Samir Joubran:
Hum… tantas perguntas difíceis. Bem, é esquizofrénico. Tens um passaporte, que és obrigado a ter porque nasceste ali, mas estás sempre a lutar para dizer que és palestiniano. E, para os israelitas, ser Palestiano é algo negro, algo que não existe.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Do you have Israeli friends?

Samir Joubran:
O que queres dizer com “amigos israelitas”? Amigos israelitas judeus? Sim, claro. Eu cresci em Nazaré, estudei hebraico nas aulas e, claro, tinha amigos. O nosso problema não é com seres humanos. O nosso problema é com políticos, com a política da ocupação. O nosso problema é com os nossos direitos enquanto palestinianos a viver dentro de Israel, para que tenhamos os mesmos direitos que toda a gente que detém o passaporte [israelita]. Agora vamos ter eleições e vês o Netanyahu [primeiro-ministro de Israel], como nas últimas eleições, a dizer: “Tenham cuidado, há uma corrida ao voto por parte dos árabes”. Isto cria separação.

Samir Joubran:
Eu vivo em Ramallah porque a minha mulher também é de Ramallah. A minha mulher tem um passaporte palestiniano e eu, apesar de ser Palestiniano, tenho um passaporte israelita.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Então ela não pode entrar em Nazaré.

Samir Joubran:
Não, claro que não! A minha mulher não pode ir a Nazaré, não pode ir a Jerusalém. Consegues imaginar? A minha mulher nasceu em Jerusalém; é esposa de alguém com um passaporte israelita – filho de Palestinianos de antes de 1948; é mãe de duas meninas que têm passaporte israelita, ainda que sejam palestinianas; tem passaporte americano… Tu podes visitar Jerusalém e ela não.

Samir Joubran:
Eu gostava que a minha música, ou a nossa música, não fosse política, mas não podemos dizer que não seja política. Enquanto a Palestina estiver ocupada, sim, a nossa identidade musical continuará sob ocupação. Mas também é verdade acreditarmos que queremos ser livres a fazer a nossa música, porque quando te estás a libertar, quando és livre de ti próprio, podes fazer parte de um projeto de uma terra livre.

Samir Joubran:
Um longo tempo tem de passar
Antes de o presente se tornar história
Tal como nós
Vamos encarar uma longa marcha
Mas primeiro
Defenderemos as árvores que vestimos
Defenderemos o sino da noite e a lua suspensa sobre as nossas cabanas
Defenderemos o veado que salta
E as penas da águia nas asas das nossas últimas canções

Roger Waters:
Mas, em breve, irás erguer o teu mundo sobre as nossas ruínas
Irás pavimentar os nossos locais sagrados
Para criar um caminho até à lua satélite
Esta é a era da indústria
A era do carvão
Fósseis para alimentar a tua sede por bom vinho 
Há os mortos e os colonatos
Os mortos e os buldózeres
Os mortos e os hospitais
Há ecrãs de radares para captar os mortos
Que morrem mais do que uma vez nesta vida
Para captar os mortos que andam depois da morte
Os mortos que geram a besta da civilização
Os mortos que morrem para carregar a Terra
Depois de todas as relíquias terem desaparecido
Para onde, oh mestre branco, estás a levar o meu povo… e o teu?

Samir Joubran:
Porque o Roger [Waters] é uma das lendas… É a lenda da música no mundo, em primeiro lugar, como músico. Estamos a falar do fundador dos Pink Floyd. Este tipo está ao lado da causa Palestiniana há muito tempo. Ele luta por nós há muito tempo. Ele luta por justiça, não apenas para a Palestina, mas para outras causas no mundo, e nós, por acaso, soubemos que ele conhecia a nossa música. Então contactámo-lo, ele recebeu-nos em sua casa e depois dissemos-lhe “porque é que não fazemos este projeto juntos”? E isto foi uma resposta ao [Donald] Trump, depois de ele ter declarado Jerusalém a capital de Israel. Foi a nossa resposta e a de Roger Waters, com este grande poema escrito por Mahmoud Darwish.

Samir Joubran:
Bem, Mahmoud Darwish é o maior poeta do último século. No mundo, não apenas para os Palestinianos, não apenas no mundo Árabe. E nós fomos tão privilegiados por tê-lo conhecido durante 13 anos, por termos tocado com ele em tantos lugares, em todo o mundo. Para mim, Mahmoud Darwish é a identidade da Palestina, é o símbolo da nossa cultura, é o símbolo da identidade educacional pura, e daquele sonho que um dia se tornará real. É a metáfora de todos os políticos estúpidos e as suas decisões políticas. Mahmoud Darwish é o ritmo do mar em que podemos sempre nadar e sonhar com isso.

Ricardo Esteves Ribeiro:
O Roger Waters está também muito envolvido no movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), uma resistência contra a ocupação israelita. Ele pede também um boicote cultural a Israel e é por isso que ele se recusa a tocar lá. Apoias o BDS e o boicote cultural?

Samir Joubran:
Claro.

Ricardo Esteves Ribeiro:
E isso não significa que vocês não podem tocar em Nazaré?

Samir Joubran:
Não. 

Ricardo Esteves Ribeiro:
Já tocaram em Nazaré?

Samir Joubran:
Claro. 

Ricardo Esteves Ribeiro:
Como foi?

Samir Joubran:
Incrível. Tocámos em Nazaré, tocámos em Haifa, tocámos em todo o lado e temos uma audiência enorme em toda a parte. Este é o sítio onde eu nasci. Claro que ninguém no mundo e nenhum político nem nenhuma decisão me pode proibir de tocar no sítio onde eu nasci. Mas quando fazemos estes concertos produzimo-los nós próprios. Nunca aceitaremos qualquer convite. Nem de festivais israelitas, nem de promotores israelitas, nem… Não aceitamos qualquer patrocínio, nem parceria com o governo israelita ou o Ministério da Cultura. Produzimos tudo nós próprios, pagamos tudo nós próprios, e depois controlamos a sala e o espaço e toda a identidade.

No dia 16 de março, Roger Waters escreveu uma carta aberta ao artista Conan Osiris, que representará Portugal no Festival Eurovisão da Canção do próximo maio, pedindo que se recuse a atuar em território ocupado, boicotando o evento.

Ricardo Esteves Ribeiro:
A edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção será em Tel Aviv. Os músicos devem boicotar a Eurovisão?

Samir Joubran:
Sim. Eu acho que Arte deve ser uma mensagem e uma mensagem muito poderosa. Boicotar alguma coisa artisticamente é a mensagem mais forte que se pode dar a políticos, porque os artistas são apaixonados pela  vida. Eles adorariam poder viver com outras pessoas, são muito sensíveis. Acho que através da arte podemos fazer passar uma mensagem muito importante. Nós não carregamos tanques, nós não carregamos bombas e não carregamos armas. Carregamos apenas a nossa cultura. Dizer não quando é tempo de dizer não. E isto é a coisa mais elementar que podemos fazer.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Obrigado.

Samir Joubran:
Muito obrigado. Bem, isto foi duro.

Ricardo Esteves Ribeiro:
Muito obrigado.

A entrevista que fizemos a Samir Joubran e Wissam Joubran pode ser ouvida na totalidade no nosso podcast de extras. Vai à tua aplicação de podcasts e procura Extras, do Fumaça, para ouvires estas e outras entrevistas em bruto.

Nesta peça, foram utilizadas as músicas “The Trees We Wear”, “Supremacy”, “Carry the Earth” e “Time Must Go By”, do álbum “The Long March”, de Le Trio Joubran.

Retirado do website Fumaça. Link: https://fumaca.pt/le-trio-joubran-o-oud-e-uma-arma/

Prazeres Interrompidos #215: Com Borges – Alberto Manguel (2002)

Prazeres Interrompidos #215: Com Borges – Alberto Manguel (2002)

Autor:
Octávio Nuno

Podcast sobre livros. Um livro num minuto! Em todas as tuas redes sociais, plataformas de podcasts, mas também nas rádios e jornais. Boas leituras!

Em 1964, Alberto Manguel, então com dezesseis anos, trabalhava em uma famosa livraria de Buenos Aires, onde era possível encontrar as últimas novidades publicadas na Europa e nos Estados Unidos – e onde todas as tardes Borges passava, retornando da Biblioteca Nacional. Um dia, o escritor, já cego, perguntou ao jovem Manguel se ele estaria disposto a ler para ele à noite, já que sua mãe, Doña Leonor, com noventa anos, se cansava facilmente. O apartamento de Borges é um lugar fora do tempo, povoado de livros e palavras, um universo puramente verbal onde Manguel descobrirá o tipo de conversa que lhe era congenial – a dos livros e de sua feitura. E descobrirá (ele que havia crescido em Israel e que a partir de 1968 viveria em diversos países), a única terra à qual vale a pena pertencer – a da literatura. Com uma paixão constantemente moderada por um afável comedimento, Manguel nos faz compartilhar sua descoberta, permitindo-nos conhecer o que de Borges não conhecíamos. Tanto que, no final, nos é difícil acreditar que não conhecemos pessoalmente Borges, que não fomos hóspedes em sua casa.

Bluebagbang – Bruto Amor (2023) (single)

Bluebagbang – Bruto Amor (2023) (single)

Um ‘amor vinil em lado B’, não comercial, é o tipo de sentimento retratado no novo single de bluebagbang – projeto fundado pela paulista Marina Hungria – em parceria com Márcio Lugó, que assina a produção musical. A faixa bruto amor chega hoje, 24 de novembro, às plataformas digitais, e vem acompanhada de um videoclipe criado a partir de imagens de filmes em domínio público que retratam casais LGBTQIA+, com edição de Marina Hungria. Assista aqui.

“Fizemos uma mistura com vídeos que estão em domínio público e também vídeos atuais. O que permeia o filme é o imaginário do universo homossexual, que sempre foi considerado um amor de lado b e marginalizado”, conta a artista. Foram utilizados trechos de obras audiovisuais que datam de 1894 a 2010 – um deles, inclusive, faz parte de um curta-metragem de 1961, Boys Beware, criado com o intuito de ser uma propaganda anti-gay, mas agora utilizado com o propósito de orgulho da luta contínua da comunidade LGBTQIA+.

A inspiração para a música surgiu de uma publicação do site Eu te dedico – projeto que reúne dedicatórias de livros – que dizia: “´Quando duas almas brutas, canalhas, despudoradas, cínicas e incendiárias (somos conscientes de que é isso que somos mesmo) se encontram, inacreditavelmente, surge também o amor´. E ele sempre esteve ali, ao meu lado: bebendo cerveja comigo, discutindo sobre a humanidade e distribuindo cinismo. O amor não é só delicadezas, ele tem um lado B, mais heavy e dark, autêntico, não comercial, como os vinis. E esse B-side é sempre o melhor do vinil. Somos o lado B do amor”, comenta Marina. A letra da canção começou a ser esboçada em 2013, mas só em 2022 foi finalizada, ano em que foi também gravada no Estúdio Mínimo, conduzido por Márcio Lugó, em São Paulo.

Música

Composição e Voz: Bluebagbang/Marina Hungria
Composição, Voz, Produção Musical, Guitarra, Baixo e Piano: Márcio Lugó
Trompete: Lariervas
Bateria: Bruno Marques

Videoclipe

Direção: Márcio Lugó e Marina Hungria
Edição: Marina Hungria

José Camilo E Seus Cumplices – Turismo (2023) (single)

José Camilo E Seus Cumplices – Turismo (2023) (single)

Depois do lançamento do tema “Sangue Beirão, Faca no Coração”, José Camilo & Seus Cúmplices acabam de disponibilizar “Turismo”, segundo single de antecipação ao seu futuro disco agendado para 2024 e com selo da editora Brava Marítima.

Entre a lírica cuidada e a dicção apurada de alguns dos mais nobres cantautores e a batida rápida acompanhada pela guitarra distorcida dos punk-rockers, o artista natural de Queluz tem marcado a sua posição na música portuguesa desde a edição do seu disco de estreia, “24 Horas no Subúrbio”, em 2013 – um disco que surge com o conceito sobre como foi crescer numa cidade da Linha de Sintra, à sombra da capital, da grande cidade – onde desfilaram canções melancólicas, mas ao mesmo tempo fortemente enraizadas no rock, com guitarras intensas e uma sonoridade inspirada pelos anos 90 (mas longe de estar ancorado nesta década).

Em 2016, com o seu segundo álbum, intitulado “Obra Camiliana”, a melancolia transformou-se em raiva e o subúrbio no imenso Portugal, com José Camilo a brindar-nos com canções de guitarras sujas e baterias de velocidade estonteante. Seguiu-se no repertório do músico, o EP “Sem Rei nem Rock”, em 2018, num tempo onde o artista se mostrou menos como rocker e mais como escritor de canções, apresentando-se mais desnudo e onde a bateria pujante dos discos anteriores, deu lugar à guitarra acústica, ganhando assim o cognome de “Punkautor”. No ano seguinte, José Camilo volta a rodear-se dos Seus Cúmplices – banda que o acompanha ao vivo – para regressar a um rock energético com o disco “Subterrâneo”, mostrando ainda em 2021 a sua versatilidade no mundo musical, com a edição de “Os Poetas não devem ser chatos, mas os leitores não podem ser estúpidos” – um disco em que as guitarras deram lugar aos teclados, as letras de canções a poemas sem rima nem refrão e a voz cantada foi substituída pelo spoken word.

Para este novo disco, José Camilo convida os Seus Cúmplices para integrarem também o processo criativo e de gravação, ficando responsáveis pelos arranjos das canções que o músico compõe, sendo, ao contrário dos seus antecessores, um disco gravado em conjunto, com os arranjos a serem criados na hora pelos músicos e terá o nome apropriado de “José Camilo & Seus Cúmplices”.

“Turismo” é o segundo single retirado deste próximo álbum, sendo a faixa em que José Camilo & Seus Cúmplices mostram ao que vêm – se o primeiro single soava a um turbilhão no mar, “Turismo”, soa a rock alternativo clássico em formato canção pop e cheia de ganchos que nos agarram logo à primeira audição. “Há aqui ecos de rock português antigo de lírica cuidada e riffs bem esgalhados, com arranjos cheios de detalhe, com enfoque para os sons de teclado e para os coros femininos” – sublinha a editora Brava Marítima sobre o novo trabalho de José Camilo, acrescentando que “todos os dias são perfeitos e estamos todos fartos de fazer turismo à beira de um abismo”.

“Turismo” está disponível digitalmente a partir deste dia, 8 de dezembro.

Velha Condessa – Já Chegamos (2023) (single)

Velha Condessa – Já Chegamos (2023) (single)

O álbum de estreia dos Velha Condessa, auto-intitulado, vai ser editado no dia 19 de Janeiro e é o resultado de anos de colaboração musical e evolução conjunta. Inspirados por diversos movimentos musicais, desde a estética do Rock Progressivo dos anos 70 até ao Rock Português dos anos 90, a sonoridade da banda combina elementos mais tradicionais do rock com traços progressivos e experimentais.

A sonoridade dos Velha Condessa reflete a diversidade das formações musicais individuais dos seus membros, que abrangem géneros desde o clássico ao jazz, e até mesmo o metal. Esta diversidade musical, combinada com a influência significativa da experiência de estúdio com Francisco Dias Pereira e Carlos BB, desempenhou um papel fundamental na definição da estética da banda.

A composição musical e a escrita das letras envolvem a participação ativa de todos os membros da banda. As composições pretendem transmitir histórias inspiradas em experiências do quotidiano, narrativas cinematográficas e mitológicas.

O álbum foi gravado em Sintra nos estúdios Blacksheep entre novembro e dezembro de 2022, sob a orientação de Carlos BB e Francisco Dias Pereira, misturado também por Francisco Dias Pereira e masterizado por Guilherme Gonçalves. A capa dos singles e do álbum foi concebida por Carlota Castro Mendes, e o videoclipe do primeiro single (Já Chegámos e Não Pode Ser Assim) contou com a realização de Eduardo Sousa e João Correia.

Velha Condessa é um grupo de rock português, originário de Lisboa, constituído por Diogo Castelo Branco, Francisco Braga, João Bento, Lopo Caldeira Marques e Pedro Patrício. Formados em 2014, foi apenas em 2019 que começaram a dedicar-se a tempo inteiro aos trabalhos originais. Com uma sonoridade entre o rock alternativo e o art rock, em 2022 apresentaram os primeiros originais ao vivo, e no fim desse ano decidiram levá-los para estúdio.

Desde que se dedicaram à criação das suas composições, os Velha Condessa já tiveram a oportunidade de atuar em palcos como o Titanic Sur Mer, no Cais do Sodré, NAV – Nunca Antes Visto, no Campo Pequeno e no Poolside em Alvalade.

Radio Is A Foreign Country #9 – Amphibian Love Songs And Soundscapes MIXTAPE (090)

Radio Is A Foreign Country 090 – Amphibian Love Songs And Soundscapes MIXTAPE

  1. Night Sounds/Frogs from Myanmar (Burma) Ambient – Jesse Paul Miller
    https://jessepaulmiller.bandcamp.com/album/myanmar-burma-ambient
  2. Frogs Calling for Rain (Mae Hong Son, Thailand) – Fred Gales (Sound Reporters)
    https://soundreporters.bandcamp.com/
    https://www.concertzender.nl/programma/de_klankbron_656300/
  3. Frog Tannoy – Roi Et, Thailand – April 2008 – Jesse Paul Miller
    https://jessepaulmiller.bandcamp.com/music
  4. Kodok Solok – Frogs and bugs in Solok, West Sumatra, Indonesia (Aural Archipelago)
    https://www.auralarchipelago.com/
  5. Dusk by the Frog Pond – Sarawak (Borneo). Rec’d by Marc Anderson (Wild Ambiance, 2013)
    https://wildambience.com/albums/dusk-by-the-frog-pond/
  6. Kiromboi from Sawaku: Music Of Sarawak (PAN Records – PAN 2067CD) and Night Lotus Pool from Night Recordings From Bali (Sublime Frequencies)
    http://www.sublimefrequencies.com/products/576931-night-recordings-from-bali
  7. Night Paddy Orchestra – Kutuh, Bali from Bali – Night Nature – Jesse Paul Miller
    https://jessepaulmiller.bandcamp.com/album/bali-night-nature
  8. Nyamwezy drummers (Intoxicating rhythms for the Monster of the Lake) and looped excerpt from Samia Bugwe. Musical Gems From Lake Victoria. Rec’d by David Fanshawe (Sapra Ltd. – CMIL 102).
    https://music-republic-world-traditional.blogspot.com/2020/07/kenya-tanzania-uganda-musical-gems-from.html
  9. Palenque – Frogs 4 – Recd by Felix Hess (Palenque, Chiapas, Mexico)
    https://basicfunction-releases.bandcamp.com/
  10. Túngara frog synthesizer at night (Gamboa, Panama) – Phillip Hermans
    https://www.dinacon.org/2019/09/11/laser-tungara-frog-synth/
  11. Le Chaco (Paraguay) – Indiens et Animaux Sauvages d’Amérique du Sud. Rec’d by Richard Chapelle (Unidisc – UD 30 1293, 1977)
    https://music-republic-world-traditional.blogspot.com/2017/12/brazil-paraguay-indiens-et-animaux.html
  12. Night frogs from Villa Giardino Córdoba – Pablo Picco
    https://bardotodolmonofonia.bandcamp.com/album/ambiente-w-rks-2012-2021
  13. Kaw Mountain, Post-explosive Breeding (French Guiana) – Marc Namblard
    https://www.gruenrekorder.de/?page_id=16085
  14. Night frogs, La Sabana, Venezuela – David Toop (1978)
    https://room40.bandcamp.com/track/night-frogs-la-sabana-venezuela-1978
  15. Morning Chorus Above and Below a Creek in the Kroombit Mountains – Jeremy Hegge (Queensland, Australia, 2016)
    https://soundcloud.com/jeremyhegge
  16. 5.10 AM Banjo Frog (Pobble Bonk), BG Frogs (Crinnia Sp.), Raven (Australia) – Dawn Chorus: Early Morning Music of the Bush – John N. Hutchinson
    https://www.discogs.com/release/6288767-John-N-Hutchinson-Dawn-Chorus
  17. Unknown didgeridoo performance recorded off the radio and an excerpt from the Cane Toads: An Unnatural History.
  18. 蛙蛙哇!Songs Of The Frogs Of Taiwan. Rec’d by Yannick Dauby (2009)
    https://kalerne.bandcamp.com/
  19. Frogs (Bachotek, Poland) – Gerrit Kalsbeek (Lola Radio)
    https://lolaradio.blogspot.com/
  20. Frog – Ear Explorer
    https://www.facebook.com/EarExplorer

Cover is a “Zen Picture” (Zenga) by Matsumoto Hoji, c. 1785

Camarón de la Isla – La Leyenda Del Tiempo (1979)

Camarón de la Isla – La Leyenda Del Tiempo (1979)

Memória de Elefante 05/12/23

Autor: Francesco Valente

Uma rubrica que revela eventos, curiosidades, lançamentos, aniversários e fatos históricos ligados ao universo da música popular mundial.

Camarón de la Isla, cujo nome verdadeiro era José Monje Cruz, nasceu em 1950 e faleceu em 1992. Ele foi um lendário cantor de flamenco espanhol, reconhecido como um dos artistas mais inovadores e influentes no mundo do flamenco. Camarón revolucionou o gênero com sua voz poderosa, emoção intensa e capacidade de improvisação. Ele quebrou barreiras tradicionais ao introduzir elementos modernos, incorporando novos estilos musicais e colaborando com músicos de jazz e rock. Sua parceria com o guitarrista Paco de Lucía foi especialmente significativa, produzindo álbuns aclamados que elevaram o flamenco a novos patamares de reconhecimento internacional. Camarón de la Isla é reverenciado como uma lenda do flamenco, deixando um legado inestimável que continua a inspirar gerações de músicos dentro e fora do gênero.

Hoje celebrámos o seu aniversário com a escuta do álbum Camarón de la Isla – La Leyenda Del Tiempo (1979) às 17h, na hora da Memória de Elefante! Boa escuta!

Leonor Baldaque – This Is Where (2023) (single)

Leonor Baldaque – This Is Where (2023) (single)

LEONOR BALDAQUE

“THIS IS WHERE” é o terceiro single de um novo caso sério no panorama musical português

Há muito que Leonor Baldaque nos habituou a ver o seu nome em fichas artísticas de excelência. Actriz de Manoel de Oliveira, autora publicada por duas das mais prestigiadas e exclusivas editoras de literatura francesas, descobriu na música, mais que uma nova paixão, uma inevitabilidade.

A sua jornada musical, que arrancou no início deste ano, chega hoje a um novo patamar com o lançamento do seu terceiro single, This is Where. Esta é uma poderosa, contudo delicada, canção que encapsula as emoções cruas e universais que surgem da imprevisibilidade e da impossibilidade do amor.

Depois de se ter dado a conhecer com os temas Few Dates of Love e My New Drink, Leonor Baldaque assume-se já como uma das cantautoras portuguesas mais singulares.

Responsável pelas letras e composições, assina ainda a realização e edição dos seus videoclips. Como é o caso do vídeo de This is Where, que hoje faz acompanhar o tema.

“A vontade de cantar o que sinto ou vivo tomou de tal maneira posse de mim que não podia senão seguir esse caminho. Para mim foi uma descoberta maravilhosa, milagrosa, inesperada, poder cantar.” LB

Firme na convicção de que ser artista é a forma de viver e de ser livre, Leonor Baldaque é capaz de nos envolver na sua introspecção e intimidade, através de uma sublime capacidade de contar histórias emocionalmente complexas com palavras e acordes simples.
O disco de estreia, Few Dates of Love, tem edição prevista para o primeiro trimestre de 2024.

Até lá, deliciemo-nos com This is Where, mais um pedaço tão pessoal de uma verdadeira artista, de uma artista inteira.

Cultoras #24 (3ª Temporada) – Mayome Musica

Cultoras #24 (3ª Temporada) – Mayome Musica

Ven, acércate que el tiempo se va,

y malgastarlo es el final.

Ven, no importa que digan si estás despierto.

No importa nada en realidad…

De camaleónica trayectoria, Mayomé no ha escatimado en curiosidad y profundidad musical. Intérprete en canto, compositora, música y docente, esta inquieta y versátil cantora ha explorado en el canto lírico, la música afro americana, la cumbia tradicional colombiana, las musicas populares de raíz latinoamericana, el rock y la balada, desempeñándose en proyectos individuales y colectivos. Voz principal de la emblemática agrupación Sindicato Sonoro, su trabajo se sumó al de muchos quienes, desde un pequeño circuito under teñido de festividad popular en pleno centro de Santiago, abrieron escena durante la primera década del presente siglo. Su trabajo como solista cuenta con un disco recopilatorio de piezas musicales titulado ”Inventario” (grabado en Colombia el año 2010). Desde entonces, y de vuelta en Chile, produce su música bajo su propio sello, CABIRIA RECORDS, que cuenta con una veintena de creaciones, tanto en el ámbito popular contemporáneo, como en sonoridades instrumentales de corte docto, incursionando además en el mundo de los paisajes sonoros y la música electrónica.

Contactos:

Correo electrónico: mayome@gmail.com

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Soundcloud:

www.soundcloud.com/mayome

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