A música é, talvez, a arte que melhor capta a matéria indefinível de que são feitos os sonhos. Por exemplo, Élvio Rodrigues, mais conhecido por Slowburner. Senta-se ao piano e aquilo sai-lhe quase naturalmente. Uma gravidade emocional colocada ao serviço de uma música generosa que parece captar esses estados liminares quando o dia dá lugar à noite, ou quando desejamos que um sonho se prolongue, como se não quiséssemos acordar para a mundanidade, ou quando um rumor emocional que vem de dentro se dilui no som, luz ou nas formas abstratas da água em movimento.
É assim “Daydreaming”, o novo e terceiro single, que é também videoclipe, do projeto Slowburner. É um tema instrumental para piano e ambientes, retirado do álbum “Life Happens In The Interim”, lançado no mês de Setembro. É um tema que serve também para comunicar que vêm aí as primeiras datas de apresentação do disco em palco, que irão acontecer em 2025. Em Janeiro e Fevereiro será realizado um circuito de apresentação por várias FNAC, sempre às 17 horas. A 11 de Janeiro, Colombo, e a 12, em Oeiras. Em Fevereiro, a 8, será a vez do Chiado, enquanto a 9, Almada, a 22, Alfragide e 23, Vasco Da Gama. A 13 de Fevereiro, a Casa do Comum, ao Bairro Alto, pelas 19h, também vai receber o piano de Slowburner. Mais tarde serão reveladas novas datas por outros pontos do país.
Não é fácil categorizar a música encantatória de Slowburner, ou seja, Élvio Rodrigues, algures entre a sensibilidade clássica, melodias e ambientes mais pop, e a omnipresença de um piano insinuante, imprevisível e misterioso. Antes do álbum, já havia lançado o EP “Before I Return To Dust” (2017) e a mixtape “Sunday Mornings Are For Piano” (2019), mas dir-se-ia que, este ano, é como se estivesse a recomeçar tudo de novo, apostando numa música contemporânea delicada, com atenção a noções como tempo, espaço e atmosfera, partilhando nesse campo algumas afinidades com figuras europeias de afirmação global como Nils Frahm, Ólafur Arnalds ou Max Richter. Depois do álbum e singles, segue-se a prova dos palcos.
African Roots #63
African Roots #63
Autor:
Gil Santos
African Roots é um podcast semanal que explora as sonoridades Africanas, indo às raízes e aos discos perdidos, passando por novos projetos sem rótulos estilísticos, podemos ir do boogie ao semba, das mornas ao soul, do zouk ao disco. Há espaço para tudo o que seja boa música Africana.
Tudo gravado em vinil.
TRACKLIST:
1 – Pierre Akendengue – Ompung’ilendo
2 – Ekuka Morris Sirikiti – Nyegenye Oyomo Yii Jo
3 – John Chibadura – Chiiko?
4 – Jally Kebba Susso – Justice
5 – Amandio Cabral – Cutch Cutch
6 – Sangazuza – Luiza Anté Kedja
7 – Ahemaa Nwomkro – Yebre Ma Owuo
8 – The Psychedelic Aliens – Blofonyobi Wo Atale
9 – The Hygrades – Keep On Moving
10 – Sèyfu Yohannès – Mèla ùèla
11 – Alostmen – Kologo
12 – Thomas Frempong – Odo Pa
13 – Musa Mboob – Gamo Gi
14 – Elisio Vieira – Tchon Di Somada
15 – Aïcha Kone – Narda
Camané – Horas Vazias (2022)
Sol Hoopii – Master Of The Hawaiian Guitar (Volume I) (1980)
Memória de Elefante 19/12/24
Autor: Francesco Valente
Uma rubrica que revela eventos, curiosidades, lançamentos, aniversários e fatos históricos ligados ao universo da música popular mundial.
Erika P. David – Pai (2024) (single)
Erika P. David – Pai (2024) (single)
O meu nome é Erika P. David, sou cantora e compositora das minhas próprias músicas, e escrevo para apresentar o meu projeto musical, que nasce de uma paixão genuína pela música e pela sua capacidade de tocar corações.
A minha motivação principal vem das histórias que carrego e das emoções que transformo em melodias e letras. Acredito que a música é uma ponte que nos conecta ao outro, independentemente de fronteiras ou barreiras, e espero contribuir para essa conexão por meio das minhas canções.
Telmo Pires – Voz Amália De Nós (2024) (single)
Telmo Pires – Voz Amália De Nós (2024) (single)
TELMO PIRES anuncia EP em homenagem a António Variações para Março de 2025. “Voz-Amália-de-Nós” é o primeiro single a ser lançado já no próximo dia 3 de Dezembro, dia em que se comemoram os 80 anos do nascimento do ícone da musica portuguesa, falecido em 1984.
Este tema, como todo o EP, conta com a produção e arranjos de Tiago Machado e marca assim a primeira colaboração entre estes dois músicos da atualidade. Escrita e originalmente gravada por António Variações em 1983 no álbum “Anjo da Guarda“, esta canção tem aqui uma leitura contemporânea onde as guitarras (com o destaque para a guitarra portuguesa de Luís Guerreiro) e as programações se entrelaçam de forma natural, sem esquecer os evocativos apontamentos corais.
Mais de trinta anos depois da versão feita pelos Resistência e apenas quatro depois da interpretação de Lina e Raül Refree, Telmo Pires criou uma versão de “Voz- Amália-de-Nós“ muito diferente com o seu cunho pessoal e influências do Fado, onde a alegria e a melancolia se fundem. Como na vida de António Variações. Como nas vidas de todos nós.
Fumaça #19: Maria Dally e Siwar Assili sobre ser da Palestina no Estado israelita (Entrevista)
Fumaça #19: Maria Dally e Siwar Assili sobre ser da Palestina no Estado israelita (Entrevista)
ENTREVISTAS
PALESTINA
MARIA DALLY E SIWAR ASSILI SOBRE SER DA PALESTINA NO ESTADO ISRAELITA
Siwar Assili e Maria Dally nasceram num lugar a que chamam territórios de 48. Ocupados em 1948. Ou Israel, como reconhecido por uma maioria dos Estados. Identificam-se como palestinianos, mas o seu passaporte é israelista. Moram a 30 quilómetros de Tel Aviv e aos olhos do Estado são israelitas árabes. Então, o que é ser uma pessoa palestiniana aqui? E o que significa viver com o seu opressor?
BANDA SONORA – Bernardo Afonso
EDIÇÃO DE TEXTO – Bernardo Afonso e Ricardo Esteves Ribeiro
ENTREVISTA – Margarida David Cardoso
SOM – Bernardo Afonso
Sol Hoopii – Master Of The Hawaiian Guitar (Volume I) (1980)
Sol Hoopii – Master Of The Hawaiian Guitar (Volume I) (1980)
Memória de Elefante 19/12/24
Autor: Francesco Valente
Uma rubrica que revela eventos, curiosidades, lançamentos, aniversários e fatos históricos ligados ao universo da música popular mundial.
Podcast sobre livros. Um livro num minuto! Em todas as tuas redes sociais, plataformas de podcasts, mas também nas rádios e jornais. Boas leituras!
Num muito aguardado novo volume de contos, Teresa Veiga consolida a sua inabalável posição de mestre da narrativa breve e a sua capacidade única para raspar o verniz da normalidade e revelar as fendas profundas que se abrem em qualquer superfície humana. É o regresso do seu poderoso universo de vozes femininas e ambientes góticos, rendilhado por programas rápidos da máquina de lavar, promessas de alegria primaveril, impulsos para
caminhar sem rumo ou os contrastes entre centro e margem, memória e verdade, invisibilidade e evidência, deixar o passado para trás ou seguir destemidamente ao seu encontro, como quem vai sempre murmurando este poema pendurado na parede de um dos contos: «Do fundo da escuridão até à verde luz brilhante do sol. Do nada até todas as coisas. De cada coisa até ao esquecimento.»
«Afinal, que grandes diferenças pode haver na vida de duas pessoas circunscritas ao mesmo local, rodeadas da mesma gente, submetidas aos mesmos estímulos, aos mesmos ritmos? As diferenças só se podem encontrar ao nível da cabeça, encerradas num espaço interior que esse é só nosso e, bom ou mau, é o nosso único tesouro.»
André Marques – Cosmicsouls (2024) (single)
André Marques – Cosmicsouls (2024) (single)
André Marques lança o novo EP “sailingspaceships”, uma viagem introspetiva e musical em busca de calma e refúgio
O músico e produtor André Marques apresenta o seu mais recente trabalho, o EP “sailingspaceships”, composto por cinco faixas que refletem um período de intensa introspeção e necessidade de tranquilidade. Este projeto nasce de uma fase pessoal em que o caos do quotidiano levou o artista a encontrar na música um escape, resultando num conjunto de composições que remetem para uma atmosfera de paz e recolhimento. Descrevendo este EP como uma viagem musical, André Marques explica que as faixas foram pensadas para criar uma experiência sensorial e contínua, onde as extensas durações e a ambiência crua transportam o ouvinte para um estado de serenidade e contemplação. A unidade sonora e visual do EP, desde a tonalidade das faixas até à capa, constituem uma proposta imersiva, oferecendo um refúgio musical que agora partilha com o público.
André Marques é um apaixonado por filmes e bandas sonoras desde sempre, o que o levou, há alguns anos, a aprender e a compor música instrumental. Em 2022, lançou o seu primeiro álbum instrumental, “Nightmares”, com uma ambiência ligada ao universo do terror e inspirada nas sonoridades presentes em filmes de suspense. No ano seguinte, em 2023, apresentou “MYSTICAL BORDERS”, um álbum mais experimental e eletrónico, explorando uma temática mística e ligada ao espaço. Em 2024, colaborou com a cantora Nora Jankovic no EP “Our Freedom”, em janeiro. Mais tarde, lançou a compilação “Half of Zero”, em duas partes, um projeto com 30 faixas que explora influências de synth wave, synth pop, dark synth e EDM.
Ao longo deste percurso, André Marques tem vindo a expandir as suas habilidades em produção musical, explorando diferentes instrumentos e géneros, e atualmente também produz para outros artistas em estilos que vão do Indie e Pop ao R&B e Rap Contemporâneo. A sua música mantém-se fortemente ligada a uma estética cinematográfica, fruto do seu background em Audiovisual e Multimédia. O EP “sailingspaceships”, disponível em todas as plataformas digitais, reflete este lado introspetivo do músico, proporcionando uma experiência de audição profunda para quem procura tranquilidade e evasão através da música.
Coffee Breakz #95 – Knockin’ Off All Weak MC’s
Coffee Breakz #95 – Knockin’ Off All Weak MC’s
Autor: Helder Gomes
Colagens sonoras, encontros improváveis e grandes embates entre o vinil e o digital. O Coffee Breakz é o elo perdido entre o rádio a pilhas e os pratos de DJ. E tem um Samplaria do Bairro aberta 24/7.
Tracklist:
1. 070 Shake & Courtney Love — Song to the Siren
2. Yo La Tengo — Leaving Home
3. Kim Deal — Nobody Loves You More
4. Awon — Learn to Love (prod. by J Brom)
5. Stephan & Chester Watson — Rendezvous
6. Dubkasm X Tricky — Concrete Flowers
7. Kendrick Lamar — Reincarnated
8. 2Pac — Made Niggaz (ft. Tha Outlawz)
9. Kendrick Lamar — Heart Pt. 6
10. SWV — Use Your Heart
11. TV Girl & George Clanton — Everything Blue
12. Homicide — Phenen
13. Shiho Yabuki — Ki No Nagare
14. Al Green — Everybody Hurts
Jim “Kimo” West – Ka Honua Maluhia (Peaceful World) (2021)
Jim “Kimo” West – Ka Honua Maluhia (Peaceful World) (2021)
Memória de Elefante 18/12/24 Autor: Francesco Valente
Uma rubrica que revela eventos, curiosidades, lançamentos, aniversários e fatos históricos ligados ao universo da música popular mundial.
José Valente – O Circo (2024) (single)
José Valente – O Circo (2024) (single)
“A música é uma coisa espiritual”
Fela Kuti
José Valente está de volta com um novo e, claro, surpreendente trabalho.
“Quem é o José Valente” traduz-se numa autêntica carta de amor dirigida à música. Mas é também uma auspiciosa combinação de possibilidades ilimitadas, onde o compositor portuense torna a levar a viola d’arco a diferentes patamares. Uma posição artística que continua a gritar por liberdade e a reforçar o espírito transgressor embutido no seu percurso.
Afirmação ou pergunta, “Quem é o José Valente” gera vários resultados. “Deve ser um artista qualquer”, responde o título da faixa de abertura do álbum a ser editado esta semana, a 24 de Outubro. Seguem-se outras teorias, ouvidas ao longo do mesmo tema: “uma autêntica enciclopédia no que toca aos sítios para comer as melhores francesinhas do Porto”, “artista plástico”, “médio centro”, “poeta galego”. “O Valente da viola” é a que mais se aproxima da verdade, num disco cuja pintura da capa, da autoria de Marco Mendes, ilustra algumas das suas referências, como José Mário Branco, Frank Zappa, Fela Kuti ou Ludwig van Beethoven.
Através de 9 peças, José Valente acerca-se de uma série de músicos convidados que enriquecem a paleta sonora deste inovador registo em que a voz é um dos elementos predominantes: João Geraldo (violoncelo e baixo eléctrico), José Silva (percussão), António Ribeiro (voz falada), João Diogo Leitão (viola braguesa), Luís Bittencourt (percussão e berimbau), Patrícia Costa (voz cantada) e Tiago Manuel Soares (percussão).
Os concertos de apresentação acontecem já esta quinta-feira, dia 24 de Outubro, no Maus Hábitos, no Porto, e domingo, dia 27 de Outubro, no Festival Instrumensal, em Coimbra. Duas oportunidades especiais para se escutarem, em estreia absoluta ao vivo, a inquietação e a intensidade emocional dos temas de “Quem é o José Valente”, longa- duração com todas as músicas e letras da autoria do violetista.
Depois de “Trégua” (2021), em colaboração com a Orquestra Filarmónica Gafanhense, e de “Águas paradas não movem moinhos” (2022), aqui a liderar o colectivo 6 Violas, numa homenagem à obra de José Mário Branco, “Quem é o José Valente” foi gravado em casa, pelo próprio, e misturado e masterizado no Estúdio de Som Musibéria, por André Espada. Tem edição da Respirar de Ouvido e o apoio da Antena 2.
“Josés há muitos”, atira alguém na primeira faixa, mas este é José Valente, um impressionante artista que, munido do seu instrumento de cordas e das suas partituras, derruba barreiras musicais, seja a partir dos discos ou das prestações únicas que protagoniza nos palcos mundiais.
O álbum está disponível a 24 de Outubro de 2024, nas principais plataformas digitais e numa edição física em CD.