De Lisboa para o mundo: Diogo Rosa, Hugo Arco, João Cortesão e Ti Ar trazem uma sonoridade que mistura o velho e o novo, com letras melancólicas e emotivas, vestidas com a estrutura simples da música pop. Os Bore Dome são quatro pessoas muito diferentes com um objetivo muito igual: o de fazer boa música.
Bore Dome – Nothing Ever Happens (2022) (single)
Selecta Alice – Ritmos Nómadas #4
Selecta Alice propõe uma viagem do Rajasthan a Lisboa em 5 episódios, passando pelas várias tradições musicais desde a música Sufi, até a música do Paquistão, Arábia, Turquia, Grécia, Balcãs e terminar no flamenco e bulerias do sul de Espanha e na mistura que é Lisboa e Portugal.
Tracklist Episódio 4:
Anouar Brahem – Halfaouine
Cheik El Afrit – Layam Kif Errih
Bargou 08 – Tarjaachi Layem
Ifriqiyya Electrique – Mashee Kooka
Takht El Med
Amina Srarfi El´Azifet – Bahdha Hbibti
Mohamed Tahar Fergani
Fadela Dziria
Arabisk Dans – Aabye Antau
Radio Tarifa – Rumba Argelina
Paco de Lúcia – Entre Dos Aguas
Gerardo Nuñez / Marques de Porrina – Tangos
The Cordovox Project – Second Coming (2022) (álbum)
The Cordovox Project é David Polido
Nascido em Novembro de 1961, os seus primeiros contactos com a música começaram desde tenra idade, quando o seu irmão, 15 anos mais velho punha a tocar no gira-discos coisas como os The Kinks, Beatles, Yadbirds, Rolling Stones…
Para ele, a música não é só uma paixão. Para ele, música é vida.
Ainda em criança, quis aprender a tocar bateria, mas nunca teve grande oportunidade. Mas, nos finais dos anos 90, conseguiu juntar uns amigos e formou uma banda. Infelizmente, nunca saíram da sala de ensaios.
Nos anos 2000, começou-se a interessar em fazer produção musical em casa, sozinho, tendo experimentado vários softwares de producção musical, até encontrar o Cubase. No início de 2006, começou a trabalhar no que seria o seu primeiro trabalho, de nome “About Time”, que lhe durou 7/8 meses a fazer, recorrendo a samples, loops, VST’s e kits de construção. Todo o “trabalho de estúdio” foi também feito por ele.
Ao fim dum hiato de 16 anos, voltou ao trabalho e em Maio de 2022, começou o seu 2º disco, de nome (apropriado) “Second Coming”, mais uma vez usando samples, VST’s e kits de construção e fazendo sozinho todo o trabalho de estúdio.
Este seu 2º disco foi editado pela distribuidora ONErpm e saiu internacionalmente dia 07/12/2022 nas mais variadas plataformas de streaming e digital download.
Sontato #4 – Radio Tarfaya
No episódio #4 , a @_sontato leva-nos pelas paisagens captadas entre Marrakech e o Sahara Ocidental, no ano de 2020.
Bio
André Xina é compositor e produtor português. Descendente de cabo-verdianos, viveu em Macau na sua infância, onde iniciou a sua pesquisa musical através de aulas de guitarra, piano e nas viagens principalmente pela Ásia e África.
Com o mestrado em Antropologia e Cultura Visual, a sua investigação académica gira em torno de casos de ruído de vizinhança recolhidos na cidade de Lisboa, ao mesmo tempo que problematiza aspectos relacionados com a lei de redução de ruído em Portugal. A partir dessa pesquisa criou o projeto Sontato, uma plataforma de estudo das diferentes paisagens sonoras que documentou até ao momento.
Em 2012 Xina imigrou para o Brasil, sendo fundador dos projetos Imidiwan, XAFU, Rickshaw e o coletivo Radio Tamashek, lançando vários álbuns e colaborando principalmente com artistas portugueses, brasileiros e moçambicanos. Em 2018 criou o projeto a solo Ha Kwai, e em 2021 surge Nzungu, produzido entre Itália e Portugal, com o álbum de estreia Dark Night of the Soul.
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Maria Kopke – The last song (2022) (single)
A artista luso-brasileira Maria Kopke lançou no passado dia 28 de Novembro o seu novo single, “The last song”, com letra e música de sua autoria.
O arranjo e a produção ficaram a cargo de Treego, também responsável pela produção do EP de estreia da artista, “Jenny”, lançado no ano passado. O tema conta ainda com a colaboração do músico afegão Fawad Murad, na sitar.
“The last song” conta a história de uma despedida dolorosa e inevitável. A letra, acompanhada por piano, percussão e sitar, faz-nos um convite: uma última canção, uma última dança, e depois, o esquecimento. Se por um lado, “The last song” difere muito, na sonoridade e na temática, dos temas em “Jenny”, é por outro lado uma proposta de desfecho: Jenny dialogava com um fantasma que a assombrava, e agora, esse fantasma despede-se de vez.
“The last song” está disponível nas habituais plataformas digitais de streaming.
Link: https://onerpm.link/347482550266
Redes sociais dos artistas:
@mariafkopke
@treegotunes
@fawad__murad_music
Caravanana – A Minha (2022) (single)
Os Caravananana apresentam na quarta-feira, dia 23 de novembro, o seu novo single A MINHA.
Este é o primeiro single de Caravananana, e.p. de estreia da banda com lançamento marcado para 2023.
A MINHA é o single primórdio destes músicos nómadas. Um blues contemporâneo, com uma batida de pôr a mexer o mais careta da sala.
Pedro Venceslau na voz e guitarra, João Figueiras na bateria, Fóssil no baixo. É esta a formação que permite à banda respirar. Nesta canção, juntaram-se Guilherme Silva e João Nunes nas guitarras adicionais e Moshiko Givan no violino.
CARAVANANANA
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● Os Caravananana (@caravananana) • fotos e vídeos do Instagram
● CARAVANANANA – YouTube
Archivo Digital – Alicia Camacho Garcés- La Caracola #2
Archivo Digital: “Alicia Camacho Garcés: La Caracola”, es un proyecto autogestionado que busca disponibilizar el patrimonio musical e intelectual de la folklorista, intelectual, activista y cantaora afrocolombiana musulmana Alicia Camacho Garcés, compuesto por una veintena de canciones de su autoría y una serie de entrevistas testimoniales, en todas las cuales va plasmando su pensamiento cimarrón cantado.
El proyecto es coordinado por la música, socióloga y maestra en estudios latinoamericanos, Lorena Ardito Aldana, el etnomusicólogo y docente Michael Birenbaum-Quintero, y el custodio del legado de la maestra Alicia, el cultor y trabajador afrobonaverense Mauricio Fidel Camacho, su hijo.
Presentación del Podcast:
Una incómoda cimarrona remece el fuego de la memoria. Es la maestra y activista afrodescendiente Alicia Camacho Garcés (1940-2017), quien a 5 años de haber partido de este mundo, sigue conmoviéndonos con su rebeldía, su compromiso y sensibilidad. Una mujer negra que luchó toda su vida por defender el legado ancestral africano, contra el racismo, la inferiorización, la guerra y el olvido, en un país cuya historia está teñida por la sangre y el miedo, pero también por la insumisión y la resistencia más fecunda. Una lumbre que revive a través de su música y pensamiento, para remover la conciencia afrodiaspórica, desde su amado Pacífico sur colombiano.
Imagen:
la imagen es del año 1975 en la ciudad de Cali y corresponde a la participación de Alicia en el Primer Encuentro Nacional de Población Negra Colombiana (realizado los días 21, 22 y 23 de febrero).
Manuel Fúria – Os Perdedores (2022) (álbum)
Perder é a Glória dos Bravos
“Eu sinto uma disposição/ Eu sinto uma inclinação/ Para falar, ouvir falar/Daquilo que amo”.
“Prece 909”, Os Perdedores
O disco mais pessoal de Manuel Fúria – ele que só sabe edificar uma arte assente na biografia. O passado quer-se arrumado em cima da cama como o vestuário que já não serve. Fúria decide catalogar a memória e arriscar a reinvenção. Ao banho de uma nostálgica melancolia, como aconteceu em périplos anteriores, prefere tentar uma catarse antes da luz.
Para isso, assume a dor da perda e a religião. Lembra mártires, denuncia massacres, nomeia a brevidade de tudo, homenageia um chão. Coloca na montra das lojas que já morreram destroços, raízes, o rosto de pessoas que foram decisivas, paisagens que determinam vidas.
“Os Perdedores” é o disco de uma banda de quem já teve uma banda. É nessa contradição que se cumpre e se transcende.
Reúne um punhado de canções de um rockeiro que adere à electrónica para dizer o tempo das guitarras. Uma electrónica sem heroísmos, que, ela própria, homenageia um cânone. Quase como um paradoxo, o sentido é o de densificar e convocar sombras. Para depois voltar a uma possibilidade, assente na glória de perder.
Músicas de quem já foi “o maior” e quer purgar a soberba e outros deslumbres. Canções de quem aceitou a escultura do tempo e procura formas de salvação possível ao gritar o nome dos amigos naufragados ou ao lembrar a infância, dividida entre a cidade e as serras, de “um menino de seu pai”.
“Os Perdedores” é o melhor título para um álbum musical-conceptual concretizado num tempo em que o triunfo mentiroso é o fetiche dominante. A autoria é apagada para dar lugar ao escândalo do anonimato.
Bravo gesto de quem se despede, acerta contas, paga dívidas, acorda noutra manhã. Que é como quem diz: de quem alinha os escombros e abre, com o destemor da fragilidade, as portadas do futuro.
The Voice Project – “Imprisoned For Art” #3
“Freedom of Expression—it’s easy to take it for granted until it’s gone. We speak up for those who speak out, for those imprisoned around the globe for having raised their voice in dissent. We have to stand up for each other, no matter the distance, no matter the borders. You never know when you’ll need the same in return” (Peter Gabriel, 2016)
(link: https://petergabriel.com/news/imprisoned-for-art/).
No dia 17/11/2016, Peter Gabriel lançou a campanha “Imprisoned For Art”, para defender artistas de todo o mundo que foram presos por se oporem aos seus governos através de sua arte.
Esta campanha parte da iniciativa chamada The Voice Project. O objetivo é defender a liberdade de expressão, aumentar a conscientização e angariar fundos para apoiar e libertar dissidentes e presos políticos. Para apoiar esta campanha, podem visitar o seguinte link: http://voiceproject.org
Hoje vamos ouvir uma seleção de artistas que estão atualmente presos em prisões de vários países do mundo. Segue a tracklist:
- Sherine – Daafy شيرين – ضعفي
- Hozan Canê Mihemedo
- Ferhat Tunç – Vay Aslanım Vay Civanım (1989)
- Eliyaas kifluu Seenaa Solomoon Heenook Joorji Fi Keeyeroon Darajjee new Oromo music (2015)
- Valtònyc – El món explotarà
- Vice Meets Valtònyc (entrevista)
- Valtònyc – Bailar en Tiempos de Guerra
Porn Grenade – Troubles (2022) (single)
Olá somos uma banda independente de Stoner Rock originária de Lisboa. Heis um pouco da nossa história no multiverso da distorção:
Após o lançamento do seu EP homónimo em Maio de 2022 e de dois concertos físicos realizados em território luso: um na Fábrica do Braço de Prata em Lisboa e outro na Criarte Cascais Jovem em Carcavelos ano presente, e um concerto virtual em tempos de isolamento em 2021 gravado e transmitido no Youtube com a realização do jovem realizador Tiago Gameiro. Porn Grenade tem presenciado uma excelente recepção tanto da parte do público como de rádios emissoras e rádios online à volta do globo como Brasil, US, UK, Alemanha. Espanha, França, Austrália, Chile entre outros países (infelizmente em Portugal ainda não, mas a granada não perde a esperança).
É uma banda que parte na base do Stoner Rock, apesar de existirem anotações de outros estilos como: Blues rock, Prog Rock, Punk, Doom Metal entre outros estilos consoante as influências pessoais de cada músico do projecto, mas para tornar uma catalogalização simples e descomprometida é um projecto de Rock.
Dia 7 de Novembro estreou o 2º Videoclipe da banda com o tema “Troubles” presente no EP homónimo da banda e 4º single lançado pelas granadas.
“Troubles” conta a ansiedade e a depressão de uma geração que se formou ou se estava a formar em plena crise de 2008, que apesar de ser a geração com mais habilitações até a data viu os seus sonhos embargados por uma crise económica que herdou de gerações passadas.
Dado a esta narrativa e ao projecto ser uma banda independente, sem agenciamento ou mesmo label, os membros optaram por fazer uma mistura de vídeos cedidos pelo público durante as suas actuações e uma viagem que os dois membros fundadores do projecto: Pedro Chagas (Guitarrista) e Sérgio Cruz (Baterista), fizeram durante o Verão ao interior norte português, num mote de escapar à azáfama das vidas reais na grande cidade.
A ideia é algo cru e real, rústico mas verdadeiro; de forma a demonstrar quão orgânica é a banda e que mesmo sem grandes recursos, se a vontade é fazer música, apenas é preciso abraçar aquilo que são e expor-se ao público no modo mais próximo possível, mesmo que toda a footage seja proveniente de smartphones, de amigos e fãs que tão amavelmente cederam ao projecto. Tudo isto montado com uma pegada estética dos videoclipes da década de 90.
A banda encontra-se em produção do próximo single e a preparar-se para o regresso aos palcos ainda este ano se possível já tendo algumas datas alinhavadas para o início de 2023.
Divulgamos a novidade que Porn Grenade apresenta um alinhamento novo, com novo baixista.
Bruno Fernandes que se junta assim ao malabarismo de granadas com: Pedro Chagas (Guitarra/Harmônica), Sérgio Cruz (Bateria/Back Vocals) Diogo Vasconcelos aka Double D (Voz) e Nuno Soares (Viola de Arco).
Linktree:
https://linktr.ee/porngrenadeofficial
Esperamos que gostem do nosso novo e humilde vídeo.
Videoclipe:
https://youtu.be/s8CR5mmEQ28
Entrevista Lusofonia Record Club (álbum de Letieres Leite e Orquestra Rumpillez)
Leo Motta comenta nesta entrevista sobre o primeiro aniversário da label Lusofonia Record Club, que se celebra com a reedição do disco de Letieres Leite e Orquestra Rumpillez, com título “Moacir de Todos os Santos”. A entrevista é interessante para perceber como funciona uma label, quanto é importante desenhar uma linha editorial e como se posicionar no mercado.
O disco Moacir de Todos os Santos é uma obra que já nasceu icónica, a reunir as composições do inigualável Moacir Santos à condução impecável de Letieres Leite, com os sons peculiares da sua Orkestra Rumpilezz, que esteve recentemente em digressão pela Europa. Trazer um disco desse, com participação de Caetano Veloso e introdução escrita por Gilberto Gil, é uma forma de fechar o nosso primeiro ano com chave de ouro. Com ele, encerramos 2022 com uma edição exclusiva para a Europa/UK que se junta aos discos de José Pinhal, David & Miguel, Nomade Orquestra, Luedji Luna e Monte Cara num ano de muito êxito e aprendizado. E este é apenas um pequeno teaser do que pretendemos fazer, cada vez mais e melhor, com o LRC daqui em diante.
Leo Motta, Lusofonia Record Club
Moacir de Todos os Santos de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, com edição prevista para 9 de Dezembro, é o vinil que encerra o primeiro ano de vida do Lusofonia Record Club em modo de celebração. Um disco icónico com a participação de Caetano Veloso e Raul de Souza e com texto da contracapa da autoria de Gilberto Gil.
“Alguns anos atrás, Letieres Leite reuniu em Salvador um grupo seleto e eclético de músicos, uns vinte e poucos, negros, mestiços e brancos – todos eles associados às vertentes mais populares ou mais clássico-eruditas da música que se faz na Bahia. Egressos das orquestras de concertos, dos conjuntos de baile, dos terreiros de candomblé, dos clubes musicais cultivadores do jazz e das vanguardas mais recentes do pop internacional, esses músicos se juntaram sob a regência de Letieres – ele, multiartista interessado em promover resgates e impulsionar avanços na música da Bahia e do Brasil”.
Inspirado no grande mestre pernambucano Moacir Santos, que o antecedera em algumas décadas nesse mister de estimular a fusão mais abrangente e profunda das linguagens nas músicas afro-americanas (a estadunidense, a cubana e brasileira), Letieres realizou, no breve período que a vida lhe concedeu, um trabalho de grande envergadura que deixa registrado agora neste disco que nos chega às mãos. Em torno de alguns conceitos amplos de ancestralidade e modernidade e de elementos rítmico-harmônico-melódicos de grande personalidade, Letieres nos oferece neste disco um pouco, um gosto, um gesto, um beijo do seu imenso legado.”
Gilberto Gil
A Orkestra Rumpilezz, formada em 2006, lança Moacir de Todos os Santos, o último álbum gravado sob a batuta do seu fundador, Letieres Leite.
Letieres partiu abruptamente em Outubro do ano passado, aos 61 anos, quando o álbum estava a ser misturado. O alinhamento do disco contempla sete dos dez temas de Coisas (1965), estreia discográfica do maestro, compositor, arranjador e multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos (1926-2006). Raul de Souza (1934-2021) toca o seu magnífico trombone na “Coisa nº 4” e Caetano Veloso participa da faixa “Coisa nº 5 – Nanã” (parceria de Moacir com Mário Telles), cantando em inglês, segunda língua de Moacir, que morou décadas na Califórnia.
Moacir de Todos os Santos é um sonho que começou em 2018, nas gravações de O Enigma Lexeu. Duma conversa entre Letieres e Sylvio Fraga (Rocinante) resultou a ideia de transformar em disco um espetáculo que Letieres tinha dado com temas de Moacir. Foi necessário ampliar o estúdio na Serra Fluminense para oferecer condições ideais à Rumpilezz para gravar. O deck aberto que havia atrás do estúdio ganhou mais três salas, batizadas como Rum, Pi e Lé, os atabaques que nomeiam a orquestra.
Os sócios da Rocinante, Sylvio Fraga e Pepê Monnerat, não pouparam energia para registrar estas interpretações da melhor forma possível. Foram alugados microfones adicionais para que todos os instrumentos tivessem uma captação de máximo nível. Pepê decidiu colocar as três máquinas de fita, de 24 canais, a trabalhar ao mesmo tempo, algo até então inédito em gravações brasileiras. Tudo escrito e ensaiado, chegou a hora de aperfeiçoar a performance dos 22 músicos, – o maestro incluído, embocando a sua flauta em sol – da Rumpilezz.
“Letieres escreveu os arranjos deste disco em um só mergulho, sem consultar os originais, de tão profundamente que conhecia o ‘Coisas’, do Moacir. É um disco absolutamente raro em muitos sentidos. A conexão entre maestros negros geniais, a percussão com papel de protagonista numa orquestra, o conhecimento profundo dos ritmos das matrizes africanas permeando a construção dos sopros cosmopolitas, a dança como guia. E todo trabalho de Letieres é intrinsecamente ativista, colocando muitos pingos nos is em relação à importância incontornável que a música dos africanos escravizados tem na música brasileira. Não tenho dúvida que Letieres nos legou, com seu último disco, um dos trabalhos mais importantes do novo século na música brasileira”, diz Sylvio Fraga, com os ouvidos no futuro.
Moacir de Todos os Santos foi concebido, arranjado e regido por Letieres Leite, dirigido artisticamente por Letieres e Sylvio Fraga, produzido por Letieres, Sylvio e Pepê Monnerat e gravado por Pepê e Edu Costa no Estúdio Rocinante. O disco foi misturado por Pepê – exceto a faixa “Coisa nº 5”, misturada por Michael Brauer – e masterizado por Eric Boulanger (The Bakery).
Com a edição de Moacir de Todos os Santos, o ano de 2022 não podia acabar de melhor maneira para o Lusofonia Record Club, o primeiro clube de vinil por assinatura direcionado para a música lusófona (Portugal, Brasil e PALOP), cujo mercado principal é Portugal. Atua como uma editora focada no e-commerce, com modalidade de subscrição e alguns parceiros de distribuição. O clube funciona por subscrição mas também é possível a compra avulso.
Produz edições de alta qualidade, exclusivas e limitadas, acompanhadas com conteúdo editorial e prensadas em Portugal (Grama Pressing). Os discos trazem sempre algo de único: são inéditos em vinil, reedições de discos icónicos já raros ou edições especiais com novidades para os assinantes. O material impresso conta sempre um pouco sobre a história do lançamento, do artista e do contexto em que tudo aconteceu. Oferece uma experiência completa, da audição à narrativa, da história à colecção.
O Lusofonia Record Club pensa a lusofonia não como um conceito limitante ou um recorte controverso. Nasce justamente nesse espaço de diálogo, para valorizar a riqueza cultural e linguística destes universos ligados pela premissa lusófona. Abraça a multiplicidade dos dialetos que passa pelos sotaques brasileiros, os pesos e calões distintos do Norte ao Sul português, o charme verbal de cada ilha cabo-verdiana e a ancestralidade linguística dos PALOP.
Preservar e promover a herança cultural dos países lusófonos através das gerações é mais que uma missão: é o ADN do Lusofonia Record Club. Num contexto cada vez mais social e diverso, valoriza a verdadeira globalização, que floresce nas diferenças e brilha no valor da nuance. E se não há uma língua única, há entendimento e pertencimento de sobra.
Ao invés da produção de baixo custo, o Lusofonia Record Club opta por um caminho mais amigável ao social e ao ambiental. Prensam na Grama Pressing em Portugal, eliminando a logística internacional, usam energia verde no escritório e estudam ativamente formas de reduzir o impacto do clube.
O Lusofonia Record Club é um projecto de Léo Motta, Tomás Pinheiro e Jorge Falcão que surgiu no início de 2022 com a edição do Vol. I de José Pinhal, até então inédito em vinil, cuja edição esgotou nas duas primeiras semanas.
O clube baseia-se na confiança da curadoria e na aposta da diversidade nas edições. A missão é entregar discos que o assinante vai amar, seja de alguém de quem já se ouviu falar ou duma banda totalmente obscura. É a oportunidade perfeita para diversificar a coleção de discos e abrir a mente a novas músicas.
Um disco que receba os devidos cuidados tem tudo para viver ainda mais que o seu dono. Com um ciclo de vida longo e uma boa dose de carinho, os discos do Lusofonia Record Club vão passar de geração em geração.
O Lusofonia Record Clube teve início no âmbito do Programa StartUp Voucher, do IAPMEI, co-financiado pelo Compete 2020, Portugal 2020 e FSE.
https://lusofoniarecordclub.com/
https://www.facebook.com/lusofoniarecordclub
https://www.instagram.com/lusofoniarecordclub/
https://open.spotify.com/user/h8xzdhpeiooj4vjrhzx2nt5k6?si=74e3f70b53fe40a2
https://www.discogs.com/label/2575288-Lusofonia-Record-Club
Callaz – Am-Dram (2022) (single)
A música de Maria Soromenho diz Callaz à frente, pseudónimo com o qual assina o seu percurso artístico desde 2017. Aprendeu a misturar sons sozinha, dando à sua linguagem musical o barulho de fundo próprio da autonomia.
“Queima Essa Ideia” (2020), “Living in a Garage” (2021) e “Galazaar” (2022) são os títulos dos singles que compôs durante o tempo que esteve em Berlim, produzidos pela artista Ah! Kosmos. O quarto tema da
colaboração com a artista baseada em Berlim chama-se “Am-dram” e é agora apresentado como prelúdio da intenção de experimentar novas ideias na performance em palco.
O processo de Callaz na escrita e composição do tema “Am-dram” carrega as experiências da própria artista durante o Verão de 2022 passado em Antuérpia. Gravado e misturado num dia, no Fuu Studio Berlin e com teledisco realizado por Guilherme Valente, “Am-dram” é uma composição eletrónica, escrita em português, lo-fi, intensa e um prelúdio da intenção de experimentar novas ideias, tal co-mo o titulo sugere: “Amateur Dramatic”.
Callaz conta já com dois LPs e dois EPs, compostos e produzidos em diversos pontos da Europa e Estados Unidos, que têm subido aos palcos de tantas cidades como as que fazem parte da sua geografia afetiva e da história de cada uma das suas obras.
No primeiro EP, Beer, Dog Shit & Chanel N°5 (2017), coleção de cinco faixas produzida por Filipe Paes, estreia-se com um enredo aparentemente solarengo no qual picos de ansiedade, memórias turvas e afetos sobem ao palco sob um filtro retro. Sentem-se ecos do pesar melancólico de Nico e indícios de uma vontade pop experimental a que assistiríamos com The Space Lady.
Volvido um ano da sua estreia, Callaz edita o seu segundo EP Gaslight (2018), uma produção a cargo de Primeira Dama e Chinaskee, no qual se confirmam as ambições do primeiro EP. Tanto são aprofundados os devaneios e conclusões tirados a partir de experiências na primeira pessoa, como são poetizadas em canção figuras como Florbela Espanca ou Mary Landon Baker.
Após o lançamento de Gaslight, Callaz toca pela primeira vez fora de Portugal, em Los Angeles. É nesta viagem que começa a desenvolver a matéria prima que mais tarde se torna o seu primeiro disco. Inicia um longo processo de experimentação: as músicas são escritas ao longo de vários meses e exploradas ao vivo em vários sítios da Europa.
É nesse panorama que edita o auto-intitulado disco de estreia, Callaz (2020). Produzido em Lisboa por Adriano Cintra, agrupa dez temas numa cativante e imaginativa fusão de pop eletrónico e indie rock, com refrões incisivos e canções enraizadas na escuridão dançante a que já nos habituou.
No seu último disco, Dead Flowers & Cat Piss (2021), percorre o espectro que liga o pop eletrónico da pista de dança à sonoridade contemplativa de quem compõe sozinha no quarto. Produzido por Helena Fagundes, numa colaboração espontânea durante o confinamento, o disco junta 10 temas que revelam a vontade de experimentação, não só de ritmo e melodia, mas também de constante remodelação do seu processo criativo.
Callaz tocou ao vivo em Lisboa, Los Angeles, Malmö, Reykjavík, Berlim, Madrid, Bruxelas e fez uma digressão em Nova Iorque dando concertos em prestigiadas salas como The Bowery Electric e Rockwood Music Hall.