A música “Um Milhão”, de Carlos Cavallini, nasce de um exercício criativo proposto por Luísa Sobral durante um retiro de escrita de canções, idealizado pela artista, em janeiro deste ano. Cada participante recebeu a tarefa de compor uma canção inspirando-se na crônica O Encontro, de António Lobo Antunes, a olhar para a cena narrada a partir de diferentes perspetivas. Carlos Cavallini teve que escrever a canção sob o olhar de uma pessoa que observa, por uma janela, a cena de um homem à espera de alguém.
“A proposta da Luísa para produzir a canção surgiu no último dia do retiro e eu estava às vésperas do lançamento do meu álbum de estreia. Quando fiz a mochila para o Alentejo, jamais passava pela minha cabeça a ideia de voltar com a proposta de produção de um single duma canção que seria composta lá, em meia hora num fim-de-semana. Mas era impossível dizer não para a Luísa Sobral quando me disse que já tinha os arranjos em mente para gravarmos”, comemora Carlos.
As gravações ocorreram em junho deste ano no estúdio Vale de Lobos em Sintra e contou com integrantes da equipa de produção e músicos escolhidos pela própria Luísa Sobral. As gravações em estúdio foram registadas em vídeo por Maria Bicker e o single é lançado conjuntamente com um videoclipe. Além do lançamento do single “Um Milhão”, o mês de setembro também marca o início da Tour de apresentação do álbum O Tamanho do Tempo em CD e vinil, na programação FNAC Sessions que passa por diversas lojas do país até o final do ano.
O álbum de estreia, O Tamanho do Tempo, foi produzido por Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti que também colaboram como instrumentistas em todas as faixas. Além disso, contou com a participação de destacados músicos como Pedro Sá, João Erbetta, Davi Moraes, Aquiles Moraes e Jonas Sá que, juntamente com os produtores, arranjaram as canções para o projeto. A acordeonista, cantora e compositora Celina da Piedade enriquece uma das faixas deste álbum, “O Que Me Faz Bem”. O Tamanho do Tempo é um mergulho na riqueza da música brasileira, refletindo uma diversidade de influências musicais que passa por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Cassiano, Azymuth, Adriana Calcanhotto, Céu, entre muitos outros. Nuno Pacheco, do PÚBLICO observou que o “disco é também um exercício introspectivo, pessoal” onde “Carlos Cavallini mede o tamanho do tempo em músicas banhadas pelo mar”.
Produção, Arranjo, Backing Vocals: Luisa Sobral
Mistura, Masterização: Nuno Simões
Gravação: Estúdio Vale de Lobos
Guitarra: Manuel Rocha
Baixo: António Quintino
Teclados: Carlos Garcia
Bateria, Percussão: Carlos Miguel Antunes
Arranjo de Sopros, Trompete: Luis Cunha
Trombone: Ruben da Luz
Saxofone: Bernardo Tinoco
Video: Maria Bicker
Design Gráfico: Quinta-feira
Música, Letra, Voz: Carlos Cavallini
Letra (Carlos Cavallini):
Todos os dias
Alguém é deixado
Na chuva, molhado
Em algum lugar por aí
Todos os dias
Alguém se atrasa
Com a hora que passa
Depressa pra quem não vai chegar
Às vezes é melhor ficar
Na janela por trás da cortina a olhar
Melhor do que ir lá tentar
A sorte de encontrar alguém
Que venha me buscar
Que queira muito estar
Comigo hoje e amanhã
E veja como eu sou
E que seja uma explosão
Daquelas que só uma em um milhão
Todos os dias
Alguém é largado
Com as flores nos braços
Em alguma esquina qualquer
Todos os dias
Alguém é levado
Para os perdidos e achados
E ninguém passa a reclamar
Carlos Cavallini – Nem Todo Mundo (2024) (single)
Carlos Cavallini – Nem Todo Mundo (2024) (single)
Carlos Cavallini mede O Tamanho do Tempo em músicas banhadas pelo mar
Medindo, em música, O Tamanho do Tempo, o disco é também um exercício introspectivo, pessoal: “As músicas foram todas escolhidas pensando muito nisso, daí a minha demora em fazer o disco. Fala muito de mim e era preciso que eu estivesse muito à vontade para isso.” Em termos de influências musicais, elas vêm muito do já citado triângulo Rio-Minas-Bahia: “Cresci com muito samba e também com muita MPB. A minha família admirava muito os grandes nomes da MPB, Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, e eu lembro-me de ser uma criança que sabia cantar músicas do Chico, Gal, esses assim, o que não era muito comum entre os meus amigos, que já estavam noutra fase, a do rock brasileiro. Isso me influenciou muito, além do rock alternativo e, mais recentemente, essa nova MPB, geração que foi até o tema da minha tese [título provisório: Pensar a nova MPB no Brasil e a nova música brasileira em Portugal]. É engraçado que eu olhava para o Domenico e o Ricardo de uma perspectiva académica a acabei por gravar com eles.”
Nuno Pacheco, Público
SINGLE “NEM TODO MUNDO”
Já com Lisboa no coração pelos 15 anos de residência na cidade, Carlos Cavallini lança agora “Nem Todo Mundo”, segundo single de seu disco de estreia O Tamanho do Tempo, produzido por Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti, que será lançado dia 1 de Março.
Em “Nem Todo Mundo”, o dedilhar com assinatura de Davi Moraes abre espaço para a voz e a letra de Carlos Cavallini, que desforra muito daquilo que construímos utopicamente sobre nós e os outros, discutindo questões sobre convivência e cotidiano – “nem todo mundo entende, nem todo mundo aprende”. Segundo o cantautor, “a canção foi feita durante as gravações e eu tive muita vontade de que ela entrasse para o álbum por estar ligada aos tempos que correm”.
O disco vai ser apresentado ao vivo no dia 22 de Março no Samambaia em Lisboa num concerto partilhado com Sam Nóbrega.
DISCO O TAMANHO DO TEMPO
Atento ao que nos faz bem
Em seu disco de estreia “O Tamanho do Tempo”, Carlos Cavallini contempla a imensidão do tempo e do mar com minimalismo do eu, enaltece os horizontes dos infinitos amores e nos oferece amizade por todo o percurso da obra.
Imenso céu e sempre mar.
Infinitos desertos, ondas e caminhos em que estaremos de alguma forma no tempo. A primeira viagem de Carlos Cavallini em disco é muito do mundo, do eu; condensa bastante de experiências dos sons e sentimentos que viveu, afinal o primeiro disco é sempre um apanhado de composições e experiências de épocas diversas que levaram o artista até uni-las em estúdio. Há beleza de muitos momentos e sabores a cada faixa, numa obra que se abre com o mar e sua imensidão. O mar para Carlos começou em Vitória, onde nasceu no Brasil e virou cais em Lisboa, onde resolveu aportar há 15 anos.
Ao longo da obra que nos cria, recria e nos mergulha em mares tranquilos, o tempo é protagonista em um cenário para audição de um disco que nos conecta com tantos abraços. No ar, no espaço, nas pessoas e na natureza. As 12 faixas são 12 elos entre si e entre quem as ouve.
Agradecimento e contemplação à beira de águas intermináveis abrem “O Tamanho do Tempo”. Apresentar-se como chuva, obediente ao vento, e se reconhecer como muito do que parece ao ouvinte, é começar o percurso do disco já a dizer um pouco sobre sua alma. Em “Sempre Mar”, Carlos não esconde o ‘eu’, ao contrário, nos oferece a face mais interior do seu sentimento e criatividade. A doçura de apreço nas palavras namora com os sons enquanto sintetizadores e as guitarras de João Erbetta nos transportam de Lisboa às paisagens sonoras e tranquilas do Ceará.
Referências com sopros suaves nos lindos arranjos de trompete e flugelhorn do talentoso Aquiles Moraes enlaçam “Natureza” (segunda faixa do disco). A sequência sonora doce entre influências do Cidadão Instigado às baladas Soul de Cassiano traz reconexões poéticas entre parte de um todo humano à sua mistura com a natureza. ‘Ser capaz de estocar amor pra depois distribuir’ é promessa da segunda faixa que se cumpre na audição e nas canções subsequentes.
A produção musical e os arranjos de Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti são delicados, criativos e multiplicam os significados das canções para seguir o seu enlace. Essa linguagem não-verbal sensível da dupla é fundamental para a compreensão da narrativa de ‘O Tamanho do Tempo’.
Se em muitos momentos a obra se enlaçará com o contemplar da natureza, em outros se mostrará cosmopolita com a doçura poética de estar atento, mesmo nas grandes cidades e suas dinâmicas mais complexas, aos detalhes mais delicados sobre as relações e sentimentos humanos. Isso se reflete em violões das referências interioranas do Brasil até as baterias e arranjos a la Strokes e Weezer.
Carlos Cavallini – Sempre Mar (2023) (single)
Carlos Cavallini – Sempre Mar (2023) (single)
SINGLE “SEMPRE MAR”
A morar há 15 anos em Lisboa, o cantor e compositor capixaba Carlos Cavallini apresenta “Sempre Mar”, single de seu primeiro álbum O Tamanho do Tempo, produzido por Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti, que será lançado em janeiro de 2024.
“Sempre Mar” é uma composição que nasceu da necessidade de celebrar a ligação profunda que tenho com o mar. Estou sempre perto do mar porque o levo em mim. A frase presente no livro ´Desato´, de Viviane Mosé, foi uma das inspirações para esta música: ´Queria me mudar para bem perto do mar. Pensei. Mas o mar é aqui. Queria me mudar para bem perto daqui´”, conta Carlos.
DISCO O TAMANHO DO TEMPO
Atento ao que nos faz bem
Em seu disco de estreia “O Tamanho do Tempo”, Carlos Cavallini contempla a imensidão do tempo e do mar com minimalismo do eu, enaltece os horizontes dos infinitos amores e nos oferece amizade por todo o percurso da obra.
Imenso céu e sempre mar.
Infinitos desertos, ondas e caminhos em que estaremos de alguma forma no tempo. A primeira viagem de Carlos Cavallini em disco é muito do mundo, do eu; condensa bastante de experiências dos sons e sentimentos que viveu, afinal o primeiro disco é sempre um apanhado de composições e experiências de épocas diversas que levaram o artista até uni-las em estúdio. Há beleza de muitos momentos e sabores a cada faixa, numa obra que se abre com o mar e sua imensidão. O mar para Carlos começou em Vitória, onde nasceu no Brasil e virou cais em Lisboa, onde resolveu aportar há 15 anos.
Ao longo da obra que nos cria, recria e nos mergulha em mares tranquilos, o tempo é protagonista em um cenário para audição de um disco que nos conecta com tantos abraços. No ar, no espaço, nas pessoas e na natureza. As 12 faixas são 12 elos entre si e entre quem as ouve.
Agradecimento e contemplação à beira de águas intermináveis abrem “O Tamanho do Tempo”. Apresentar-se como chuva, obediente ao vento, e se reconhecer como muito do que parece ao ouvinte, é começar o percurso do disco já a dizer um pouco sobre sua alma. Em “Sempre Mar”, Carlos não esconde o ‘eu’, ao contrário, nos oferece a face mais interior do seu sentimento e criatividade. A doçura de apreço nas palavras namora com os sons enquanto sintetizadores e as guitarras de João Erbetta nos transportam de Lisboa às paisagens sonoras e tranquilas do Ceará.
Referências com sopros suaves nos lindos arranjos de trompete e flugelhorn do talentoso Aquiles Moraes enlaçam “Natureza” (segunda faixa do disco). A sequência sonora doce entre influências do Cidadão Instigado às baladas Soul de Cassiano traz reconexões poéticas entre parte de um todo humano à sua mistura com a natureza. ‘Ser capaz de estocar amor pra depois distribuir’ é promessa da segunda faixa que se cumpre na audição e nas canções subsequentes.
A produção musical e os arranjos de Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti são delicados, criativos e multiplicam os significados das canções para seguir o seu enlace. Essa linguagem não-verbal sensível da dupla é fundamental para a compreensão da narrativa de ‘O Tamanho do Tempo’.
Se em muitos momentos a obra se enlaçará com o contemplar da natureza, em outros se mostrará cosmopolita com a doçura poética de estar atento, mesmo nas grandes cidades e suas dinâmicas mais complexas, aos detalhes mais delicados sobre as relações e sentimentos humanos. Isso se reflete em violões das referências interioranas do Brasil até as baterias e arranjos a la Strokes e Weezer.