
Festival Theia – Etrevista Com Beatriz Nunes
Beatriz Nunes, cantora, nos visitou no estúdio da Rádio Olisipo, para apresentar o Festival Theia e o ciclo de conferências integradas no mesmo festival.
Autor:
Francesco Valente
FESTIVAL THEIA
curadoria RITA MARIA
Link: https://malaposta.pt/festival-theia-2023/
“É com grande entusiasmo que apresentamos o Festival Theia, um evento pioneiro em Portugal que celebra e reconhece a liderança das artistas, compositoras e intérpretes contemporâneas. Inspirado na titânide grega Theia, associada à Visão e à Luz, o festival destaca a incrível criatividade feminina e o impacto significativo das mulheres na cena musical contemporânea.
Na tão aguardada segunda edição deste festival, o Theia tem o prazer de apresentar uma programação emocionante, composta por cinco concertos que valorizam a diversidade de propostas sonoras. Este evento oferece uma experiência musical única e enriquecedora.
Como parte fundamental do conceito, o Festival Theia promove um ciclo de conferências sobre as questões de Género e o Jazz, sob a liderança da respeitada cantora e investigadora Beatriz Nunes. Este ciclo é acompanhado por um painel diversificado de convidados e a sua missão é promover a divulgação e o debate saudável de ideias junto do público, explorando o papel fundamental das mulheres na música contemporânea.
A abertura do Festival será marcada, no final dos concertos, por uma jam session de celebração, criando um espaço de encontro e convívio entre artistas e público, fomentando a troca de experiências e paixão pela música.
A grande novidade deste ano é a residência artística para Ensemble, onde compositoras renomadas trabalharão em obras exclusivas para o festival. Essas composições inéditas serão estreadas no Theia e posteriormente disponibilizadas em formato fonográfico, contribuindo para o enriquecimento do legado da música contemporânea e experimental.
Para coroar esta edição, teremos também a honra de receber a artista internacional Fuensanta Méndez, uma renomada contrabaixista, cantora, compositora e poetisa, que ministrará uma masterclass.
O Festival Theia vai para além do conceito de festival; é um marco na promoção da excelência artística das mulheres e uma oportunidade para todos ampliarem os seus horizontes musicais. Convidamos todos a descobrir a programação completa e a juntarem-se a nós nesta celebração da música e da criatividade feminina.”
[Rita Maria]
17 Novembro 18h
Mulheres e Crítica Musical
Ângela Portela (doutoranda em Ciências Musicais, CESEM)
Nuno Catarino (editor da revista jazz.pt)
A produção de narrativas escritas sobre mulheres em contextos culturais é particularmente útil para
compreender processos de validação e canonização de artistas femininas: que qualidades e
características são utilizadas para valorizar o trabalho artístico produzido por mulheres nas artes do
espetáculo, em particular na música?
Nesta conversa iremos abordar de um ponto de vista histórico de que forma a imprensa escrita
antecipa a dimensão “mulher” na representação da figura artística feminina, avaliando-a primeiro
através dos modelos de género esperados nessa sociedade, e só depois aplicando as expectativas
transversais à proficiência artística. Num meio onde as mulheres ainda representam uma minoria,
iremos também refletir sobre o papel da crítica na desconstrução de expectativas normativas em
relação ao papel das mulheres na música.
18 Novembro 18h
Mulheres e Ensino da Música
Gonçalo Marques (coordenador pedagógico da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas)
Patrícia Pascal (Production manager da organização de educação Tomorrow’s Warriors)
É habitual considerar-se que a baixa participação de alunas em estudos de jazz é um fenómeno que
antecipa a falta de representação de mulheres em contextos profissionais.
Apesar da taxa de feminização no ensino especializado da música em Conservatórios em Portugal ser
de 60%, os contextos de ensino do jazz continuam a revelar uma profunda desigualdade de género.
Vários autores apontam o ensino do jazz ainda como um contexto dominantemente masculino e com
uma forte distinção de papéis musicais entre alunos e alunas. A tendência de alunos de jazz serem
instrumentistas e alunas de jazz serem vocalistas tem um forte impacto nas suas futuras opções
profissionais assim como no ecossistema artístico como um todo.
Nesta conversa iremos abordar estratégias educativas que têm incentivado contextos de ensino mais
equitativos, tentando também compreender que construções sociais sobre género poderão estar
subjacentes às escolhas artísticas de alunas e alunos de música.
19 Novembro 16h30
Novas publicações sobre Música e Género
Joana Freitas (doutoranda em Ciências Musicais, CESEM)
Monika Herzig (Professora na Universidade de Indiana, pianista jazz)
Desde os anos 70 que a implementação do pensamento feminista na Academia tem sido marcado
por resistências por parte das ciências sociais mais convencionais. Acabando muitas vezes por ocupar
um lugar marginal, um apontamento exótico em relação ao saber dominante, é de assinalar que
apenas em 2021 se tenha publicado o primeiro livro português inteiramente dedicado ao
cruzamento de estudos sobre Música e Género. Por sua vez, em 2022 é publicado o primeiro livro a
estudar de forma sistemática as relações entre género e jazz pela prestigiada editora Routledge,
marcando um momento histórico de reconhecimento sobre a importância deste assunto na
investigação musicológica.
Nesta conversa, os livros Musical Trouble…After Butler (2021) e The Routledge Companion to Jazz
and Gender (2022) serão apresentados pelas pessoas envolvidas na coordenação e edição destas
publicações, proporcionando uma oportunidade única para conhecer os processos de publicação e a
importância destas publicações no contexto do estudo musicológico sobre género.