Luís Braz Teixeira acaba de editar o novo EP “estaca zero”, já disponível em todas as plataformas digitais. O primeiro curta duração inteiramente em português do cantor e compositor documenta as várias fases de uma relação e o processo de recomeço mental e emocional que se segue ao final da mesma. Com uma sonoridade Pop e R&B, “estaca zero” foi escrito, composto, produzido e gravado pelo próprio artista.
Nas palavras de Luís Braz Teixeira, este lançamento representa “o voltar ao início, o reset mental e emocional que normalmente acontece quando termina uma relação e nos despedimos de alguém que amámos. Ao longo de todo o EP é desenvolvida uma linha cronológica que tem início na fase de insegurança do começo de um relacionamento, seguindo-se as adversidades e, no tema final, o regresso à estaca zero”.
Neste que é o seu segundo curta duração, Luís Braz Teixeira apresenta um total de seis temas. Ainda que o processo de composição tenha sido solitário, o cantor e compositor contou com as colaborações de Duarte Carvalho, Mike Apollo, Sara Megre, Fred Irie, Paulo Araújo e André Barreto para finalizar “estaca zero” nos Cozy Music Studios. O EP foi antecipado pelos singles ‘só a mim’, ‘sonhos’ e o mais recente, ‘coração trancado’.
“estaca zero”, é o terceiro EP Luís Braz Teixeira. O curta duração sucede a “First Take”, de 2021, e “GETAWAY”, de 2023. Este último é uma parceria com o cantor, compositor e músico lisboeta Diogo Fonseca.
Perpetua – Quarto Azul (2024) (single)
Perpetua – Quarto Azul (2024) (single)
Perpétua lança nova música: Quarto Azul
A banda Perpétua, oriunda da Gafanha da Nazaré, apresenta “Quarto Azul”, o segundo single do aguardado álbum “Celeste”, previsto para 2025. Esta nova faixa reflete a maturidade renovada do grupo, num registo que promete definir a identidade sonora do segundo trabalho de originais da banda.
“Quarto Azul” oferece uma fusão única entre a melancolia e a energia dançante, evocando um casamento nostálgico entre a Pop dos anos 80 e a música Disco. A nível lírico, a canção explora a tentativa — talvez frustrada — de encontrar momentos de desaceleração num mundo acelerado e caótico.
O videoclipe do single, gravado no 23 Milhas, mais precisamente na Casa da Cultura de Ílhavo, no dia 31 de maio de 2024, reforça o vínculo especial entre a banda e os seus fãs. Num formato participativo e inovador, foram os próprios fãs que assumiram o papel de operadores de câmara, cedendo imagens para a montagem final do clipe. O resultado celebra não apenas a música, mas também o espírito de comunidade que caracteriza Perpétua.
“Quarto Azul” já está disponível em todas as plataformas digitais.
quem são os perpétua
O Diogo, o Rúben e o Xavier conhecem-se numa escola de música na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, onde se inicia o percurso musical de cada um, bem como uma amizade que viria a ser a semente de onde germinaria a Perpétua. O Diogo conhece a Beatriz no ensino secundário, última pétala desta flor.
Lançam o seu primeiro single, “Condição”, em setembro de 2020, estreando-se logo em novembro do mesmo ano ao vivo, na abertura de um concerto de André Henriques. Em março de 2021, lançam o seu álbum de estreia Esperar Pra Ver e com ele o single “Perdi a Cor” que os deu a conhecer às lides nacionais. A propósito de uma parceria com a Câmara Municipal de Ílhavo, reinventam cinco canções do vencedor do Festival da Canção de 1981, Carlos Paião, também ele músico da terra, com o EP Muito Mais. Subiram ao palco do Festival da Canção em 2024, com o tema “Bem Longe Daqui”, tendo chegado à final do Festival. 2024 é, também, o ano em que revelam o seu segundo álbum de originais.
Acima de tudo, Perpétua procura pintar novas paisagens musicais, cantando a tristeza alegremente, de forma leve e demorada, como se cuida de um jardim.
Atalhos – Ayer Morí (2024) (single)
Atalhos – Ayer Morí (2024) (single)
Atalhos, natural de Birigui, interior de São Paulo, e conhecido pelas pontes que traça entre Brasil e Argentina e entre música e literatura, apresenta “Ayer Morí”, faixa que sucede o ótimo single “Atlanta” e abre caminho para a chegada do quinto disco da banda – um lançamento do selo espanhol Costa Futuro, totalmente produzido por Gabriel Soares. A canção melancólica chega acompanhada por videoclipe a ser disponibilizado no canal da banda no YouTube dia 06 de dezembro, uma sexta-feira. “Ayer Morí” também pode ser ouvida nas principais plataformas digitais.
“É uma canção marcada por uma atmosfera nostálgica, com um beat evocativo de drum machine e acordes melódicos de violão que atravessam a letra, cantada em português e espanhol, e desembocam numa torrente de guitarras distorcidas e bateria transformadora”, comenta Gabriel a despeito da sonoridade da faixa. “Ayer Morí” traz em sua ficha técnica Gabriel Soares na composição, produção musical, bateria, vozes e guitarras; Conrado Passarelli, nas guitarras, piano e teclados; e Ives Sepúlveda no baixo e sintetizadores. A música acompanha um clipe dirigido pelo duo Cinza, com roteiro e edição de Gabriel Soares, e imprime, num filme P&B, a melancolia que a faixa transmite. O delicado trabalho audiovisual mostra Atalhos em ação, entre a estrada e o palco, solidão e som.
Atalhos tem mais de uma década de estrada e o desejo de estreitar sua relação não só com os países latino americanos, mas também com a língua espanhola: daí o selo do qual a banda faz parte, Costa Futuro, ser de Barcelona. Com “Ayer Morí” a banda inaugura uma nova fase e prepara o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, sucessor de “A Tentação do Fracasso” (que lhes rendeu uma turnê mundial em 2022 com mais de 50 shows no Brasil, Argentina, EUA e Europa), a ser lançado em 2025.
Além de Joana Alegre e Elisa Rodrigues, o vídeo realizado pelo fotógrafo e videógrafo Edgar Keats conta com a participação da violinista Emiliana Silva. Com letra e música da autoria de Joana Alegre, ‘Perfeita’ é uma das faixas do terceiro disco da cantautora, “LUAS”, cuja edição em formato vinil está disponível em pré-venda a partir de hoje.
“Neste álbum “LUAS” cada tema corresponde a uma fase da lua. De minguante a crescente, as oito canções completam uma narrativa dinâmica de altos e baixos, sobre a nossa natureza cíclica. O disco aceita e acolhe essas marés e, no universo noturno de mãe artista independente, celebra a força e magia de ser mulher”, afirma Joana Alegre.
O terceiro disco da artista – do qual fazem parte os singles ‘Nó’, ‘Ciclotímica’, ‘Rosa Carne’, ‘Copo Cheio’ (dueto com Mikkel Solnado), ‘Lógica Astral’ e ‘Desdita’ – dá o mote para a apresentação em Montreal, no Canadá, na 37ª Conferência Anual da Folk Alliance International, no próximo mês de fevereiro. Antes disso, a cantora apresenta-se na sala Novo Ático do Coliseu do Porto, já no dia 8 de dezembro, pelas 19h30, e no B.Leza, em Lisboa, a 9 de janeiro, pelas 22h00. Os bilhetes para os dois concertos em Portugal já se encontram à venda nos locais habituais.
Dreia – Podes Perguntar (2024) (single)
Dreia – Podes Perguntar (2024) (single) Id
LETRA | Podes perguntar
Eu sei que assusta
Não sou como tu
Mas podes perguntar
E é tanta asneira
Que te oiço dizer
Tu podes perguntar
E da cabeça até aos pés
Analisas em segundos
São mundos diferentes
Viro a fantasia que tu queres
E perde-se no fundo
Uma ponte
Um encontro
Tanto que falas
E tentas calar
À tua volta
Já nem cabes em ti
Cortas palavras
E tentas colar-me
À tua imagem
Diz o que queres de mim
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz lá
Diz o que queres de mim [X2]
Não há feitiço que me quebre
E o mau olhado está perto do fim
Vejo daqui que ainda me segues
Mas já não tens mão em mim
E se me crias por impulso
No meu pulso corre o sangue
P’ra acordar longe de ti
E se eu vesti o teu mundo
Já foi muito, foi engano
Mas serviu p’ra me ouvir
Tanto que falas
E tentas calar
À tua volta
Já nem cabes em ti
Cortas palavras
E tentas colar-me
À tua imagem
Diz o que queres de mim
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz lá
Diz o que queres de mim [X2]
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz diz diz diz lá
Diz o que queres de mim
Diz lá, diz lá
Diz lá, diz diz diz
Diz lá o que queres de mim
Staccato Limão – Moinho (2024) (single)
Staccato Limão – Moinho (2024) (single)
Staccato Limão, anuncia álbum em 2025 intitulado “L’Orient/L’Occident”
“Moinho” é o primeiro single de avanço.
Num tema em que a banda garante que a sua estética alternativa continua a rimar com guitarras, os Staccato escrutinam como habitualmente a condição social, debatendo se a alegoria do que é cíclico nos obriga, nas suas fases menos virtuosas, ao retrocesso civilizacional que hoje se teme. Para caracterizar esse retrocesso, acrescentam ainda a metáfora dos western spaghetti para retratar a dureza de um mundo de “cada um por si”.
À boleia desse conceito, o vídeo que acompanha o single é um remake kitsch de várias cenas icónicas dos filmes de Sergio Leone. A não perder!
Ficha Técnica:
Música Pedro Guerreiro e Rui Dinis Letra: Rui Dinis
Gravações Bateria e Voz: Tião Costa Mistura: Guilherme Gonçalves Edição: Moreia Elétrica, 2024, Distribuição: One Level Up Publishing: Moreia Elétrica
André Seravat – Meio Verso (2024) (single)
André Seravat – Meio Verso (2024) (single)
O cantor e compositor André Seravat acaba de editar o novo single ‘Meio Verso’, já disponível em todas as plataformas digitais. Com letra da autoria do próprio artista, em colaboração com Riic Wolf, Gonzalo Tau e a dupla ADois, e música de André Seravat, Diogo Costa, Riic Wolf e Pedro Joaninho, esta é uma canção Pop e R&B sobre encarar as mudanças de forma positiva. A produção é de Diogo Costa.
“Este single é sobre abraçar as mudanças com um sorriso e ver o lado positivo, mesmo nas situações mais difíceis. Nasce do processo de cura que se segue ao final de uma relação, numa mistura de tristeza e aceitação. Percebi que, por vezes, as coisas não funcionam por uma razão maior, a vida segue e as pessoas entram e saem das nossas vidas, deixando lições valiosas. Algumas coisas simplesmente não são para durar”, afirma o cantor.
“A melodia de guitarra doce e melancólica tem influências de Blues e até de Country, enquanto a minha harmonia vocal se mantém fiel ao Pop e R&B. Sinto que esta é a combinação perfeita dos géneros que mais me inspiram”, acrescenta André Seravat.
Quase Nicolau – O Que For (2024) (single)
Quase Nicolau – O Que For (2024) (single)
“O Que For” é o regresso dos Quase Nicolau. De tanto de novo que traz e prenuncia, talvez se lhe possa chamar um recomeço.
Os cinco amigos que dão pelo nome de Quase Nicolau – Francisco, Gonçalo, Melo, Nuno e Zé – juntaram-se pela vontade de compor e cantar canções em português e harmonia, vindos tanto da formação clássica e em jazz como do folk, rock e blues aprendidos por casa. Ao fim de um ano e meio, estrearam-se com Alvorada (2021), um conjunto de cinco canções da noite ao dia, feito sob a tutela do renomado José Moz Carrapa (António Variações, Rui Veloso, ZARCO). A Alvorada valeu à banda várias distinções, entre as quais a selecção, por concurso aberto, para o Festival Emergente 2021 e a chegada do tema “Pouco, Tanto” ao pódio dos FNAC Novos Talentos 2022. Depois de passagens por palcos como a Casa do Capitão e o Centro Cultural da Malaposta, o ciclo da Alvorada terminou em grande, com concertos no Festival FNAC Live 2023 e no Festival Paredes de Coura 2023.
Começava então a feitura do primeiro álbum de longa duração. De Junho de 2023 a Abril de 2024, a banda reuniu com o produtor João Correia (Tape Junk, Lena d’Água, Benjamim, Bruno
Pernadas) para trabalhar onze canções que há muito vinham sendo escritas como partes de um todo. Foi um processo que, atravessando todas as estações do ano, trouxe a descoberta de um novo som, ao cruzar os arranjos corais e timbres acústicos e eléctricos da Alvorada com samples e manipulações electrónicas, bem como com participações do pianista Vasco Robert e do saxofonista João Capinha. Sobre os instrumentos estão canções ainda mais urgentes e íntimas do que antes, entre as quais se contam tanto os mais imponentes momentos da discografia da banda como os seus mais singelos.
Tudo recomeça agora, com “O Que For”. Penúltimo tema do disco que integra e antecipa, é uma canção de aceitação e afirmação da própria vida sem esquecer as suas dicotomias. Aqui, as metáforas e imagens ternas da natureza são cantadas pelos coros resplandecentes em que os Quase Nicolau encontram muita da alegria de fazer música, rodeados por ondas instrumentais sempre em mudança, das guitarras em afinações invulgares e violas amarantinas ao piano manipulado até ser outro instrumento.
A música vem acompanhada por um teledisco realizado pela banda – três elementos da qual se formaram em cinema – e filmado pelo director de fotografia Martim Varela (Prisma, Santiago) num único dia à beira do Verão na cidade de Lisboa.
Seguir-se-ão vários singles até ao lançamento do disco na Primavera de 2025.
Manta – 112 (2024) (single)
Manta – 112 (2024) (single)
Chama a ambulância pra hoje
Eu nem queria dizer alto isto
Mas eu sei que vai ser hoje
Não sinto cada parte minha
Está me a doer tudo no corpo
Eu sei que vai ser hoje
Chama o 112
Como é que eu te explico isto, como é que eu desligo?
Isto é sentimento misto, como é que eu te digo?
Hoje eu estou somente lixo e se a minha mente diz
Que o meu vício é ter um vício e que agora dependo disso
Nunca fui tão submisso
Será que tou possuído?
Chama a ambulância com um padre, liga e traz um crucifixo
Chama o 112
A sério que eu nunca me vi tão carente
Que a vida nunca me deixou ser tão crente
Que agora que a vida me cai de repente
Chapada na cara ‘tá a bater de frente
‘Tá a bater de frente e mesmo que tente
Não tiro a razão mas não fico ciente
E mesmo que invente
Caminhos diferentes, cabeça só mente
Estou escravo da mente
Estou escravo de que?
Estou escravo da mente
Estou escravo de mim, já nem faz sentido
Mas eu estou sentido, e num só sentido
Cuspir cá pra fora o que ficou contido
Tão como é que te explico isto?
Como é que eu desligo?
E se isto é sentimento misto, tão
Chama a ambulância pra hoje
Eu nem queria dizer alto isto
Mas eu sei que vai ser hoje
Não sinto cada parte minha
Está me a doer tudo no corpo
Eu sei que vai ser hoje
Chama o 112
Se me passares a mão na testa vais ver quanto é que eu estou quente
Enquanto ser humano até quando é que eu aguento?
Sempre tive esta falsa dor presente
Falso frente a frente
Cheiro a medo enquanto tento segurar tanto peso
Vou estar preso até que aprendo
Que na verdade, nesta vida há pouco tempo
Estou sendo no sofá as vinte e trinta
Está tudo à minha espera e eu sem saída
Sinto cada olhar em mim, mas ninguém imagina
O que é viver dentro de alguém com uma alma igual à minha
Que quando dói, dói tanto que eu nem respiro
Chama a ambulância pra hoje
Eu nem queria dizer alto isto
Mas eu sei que vai ser hoje
Não sinto cada parte minha
Está me a doer tudo no corpo
Eu sei que vai ser hoje
Chama o 112
Ghetthoven – Letters (2024) (single)
Ghetthoven – Letters (2024) (single)
Ghetthoven encerra um ciclo com o lançamento de double single
Ghetthoven, cantor, compositor e produtor oriundo do Porto, apresenta o seu mais recente trabalho, um double single composto por “New Day” (Lado A) e “Letters” (Lado B). Este lançamento, disponível nas plataformas digitais, marca o encerramento de uma fase romântica e introspectiva na trajetória do artista, assinalando a transição para uma nova era musical.
Com produção de Taseh, Saloio e Liquid, e uma forte componente lírica e métrica assinada pelo próprio Ghetthoven, este double single reflete as experiências e os sentimentos que moldaram o último capítulo da sua carreira. “New Day” surge como um hino ao renascimento e à superação de tempos sombrios, enquanto “Letters” é uma ode ao amor, apresentada sob a forma de uma carta destinada a todas as pessoas apaixonadas. Ambas as faixas mantêm a atmosfera soul e onírica que tem caracterizado a música do artista, mas apontam para o desfecho de uma etapa criativa que o viu explorar profundamente a sua expressão romântica.
“Este lançamento é o desfecho de uma season, um hiato da minha fase romântica. É também uma ode ao amor e ao renascer, uma forma de reagir aos tempos negros que atravessamos,” explica Ghetthoven, acrescentando que o futuro da sua música será marcado por uma abordagem mais ativista.
Desde a sua estreia em 2014 com “By My Side”, Ghetthoven tem vindo a afirmar-se no panorama nacional, integrando projetos como os Crisis e colaborando em produções de artistas como Moullinex, Voxels e Cut Slack.
“New Day” e “Letters” são um marco nesta trajetória, encerrando um ciclo que deu origem a obras como “Magical City”, lançada no início de 2023, um single descrito pelo artista como “um hino à esperança e à luta”. Ghetthoven, que escreve, interpreta e orquestra os seus trabalhos, sublinha que este lançamento simboliza não só um momento de reflexão e renovação, mas também o ponto de partida para um novo capítulo na sua música, onde temas sociais e interventivos ocuparão o centro do seu processo criativo.
Paulo Tó – Mudam- Se Os Tempos (2024) (single)
Paulo Tó – Mudam- Se Os Tempos (2024) (single) Id
O músico e compositor brasileiro Paulo Tó edita o single Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, releitura de José Mário Branco, a 22 de novembro. O tema apresenta o projeto Cantos da Revolução (ybmusic), que presta homenagem às canções do repertório de protesto que marcaram o período de luta contra a ditadura em Portugal, entre 1926 e 1974. A ideia para o disco foi inspirada por uma temporada em que o artista viveu no país. O single divulgado agora remonta à canção editada originalmente em 1971 por José Mário Branco, ícone da luta contra o fascismo português. Nesta releitura, o tema ganha sotaque e musicalidade brasileiras por meio da participação do saxofonista Thiago França e do duo de instrumentistas de sopro Os Bicudos. Integra também a música o violonista português Afonso Albuquerque. Oiça aqui.
“Essas canções, algumas feitas durante o processo revolucionário, carregam uma vitalidade poética e musical, além de revelarem os sonhos, as raivas e as alegrias de uma geração de artistas que viveram no exílio por anos e que, ao regressarem, participaram ativamente da revolução”, diz Paulo Tó.
No final de 2018, quando viveu em Portugal, Paulo Tó passou a conhecer o repertório que agora integra o disco. “Comecei a ouvir essas músicas por indicação de amigos e fiquei impressionado com a potência poética das canções, completamente desconhecidas no Brasil. Na época tive o privilégio de conhecer pessoalmente dois grandes compositores portugueses desta safra: José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias, com quem me encontrei algumas vezes e estabeleci mais contacto”, completa. Neste mês de novembro, completam-se cinco anos da morte do cantor José Mário Branco.
O álbum a ser lançado no próximo ano conta também com as participações de Siba, Jéssica Areias, Cauê Silva, Eugénia Melo e Castro e Arthur de Faria.
Duarte – Não Importou Que Ficasse (2024) (single)
Duarte – Não Importou Que Ficasse (2024) (single)
Duarte – Venham Mais Vinte (2004-2024) Edição a 22 de Novembro 2024
Não há como fugir-lhe. Sempre que um número redondo começa a ficar nítido no horizonte, a ideia de balanço vai-se impondo nas nossas cabeças. Olha-se para trás, faz-se contas àquilo que se concretizou e àquilo que ficou por concluir, toma-se uma consciência mais clara do caminho que se foi percorrendo, percebendo melhor aquilo que levou do ponto A até ao B, ao C e a todos os outros que o alfabeto permita nomear.
Com o fadista Duarte aconteceu o mesmo, ao ver aproximar-se a marca dos 20 anos de carreira. Só que, no seu caso muito particular, o balanço que decidiu empreender assume um duplo sentido. Na verdade, mais até do que um olhar para trás e uma celebração do caminho que fez dele uma das mais notáveis vozes do fado de hoje, aquilo que o move em Venham Mais Vinte 2004-2024 é uma mirada dirigida para a frente. O balanço, aqui, é sobretudo equivalente ao momento de dar uns passos atrás, ganhar espaço para a corrida e saltar em frente. Assumindo, talvez mais do que nunca, o risco desse salto. A experiência tem também destas coisas – minimiza as incertezas, aguça a ousadia, ajuda a uma definição mais inteira de quem se é, sem medo das opiniões de terceiros e sem o peso de querer adivinhar o que outras cabeças gostariam que fossem os passos seguintes.
Venham Mais Vinte, numa alusão evidente a José Afonso, é também um título feito dessa mesma vontade de imaginar que virá depois, sem pensar demasiado naquilo que já foi – porque o passado, quer queiramos quer não, carregamo-lo sempre connosco. E é, em vez da habitual celebração e do costumeiro “o melhor de”, um disco de risco assumido. Em vez de comprazimento, Duarte quis a ousadia. Em vez de dar palmadinhas nas costas de si mesmo, Duarte quer antes empurrar-se e ver onde vai cair.