Manifesto Sonoro #8

Archivo Digital – Alicia Camacho Garcés- La Caracola #2

Archivo Digital: “Alicia Camacho Garcés: La Caracola”, es un proyecto autogestionado que busca disponibilizar el patrimonio musical e intelectual de la folklorista, intelectual, activista y cantaora afrocolombiana musulmana Alicia Camacho Garcés, compuesto por una veintena de canciones de su autoría y una serie de entrevistas testimoniales, en todas las cuales va plasmando su pensamiento cimarrón cantado. 

El proyecto es coordinado por la música, socióloga y maestra en estudios latinoamericanos, Lorena Ardito Aldana, el etnomusicólogo y docente Michael Birenbaum-Quintero, y el custodio del legado de la maestra Alicia, el cultor y trabajador afrobonaverense Mauricio Fidel Camacho, su hijo.

Presentación del Podcast:

Una incómoda cimarrona remece el fuego de la memoria. Es la maestra y activista afrodescendiente Alicia Camacho Garcés (1940-2017), quien a 5 años de haber partido de este mundo, sigue conmoviéndonos con su rebeldía, su compromiso y sensibilidad. Una mujer negra que luchó toda su vida por defender el legado ancestral africano, contra el racismo, la inferiorización, la guerra y el olvido, en un país cuya historia está teñida por la sangre y el miedo, pero también por la insumisión y la resistencia más fecunda. Una lumbre que revive a través de su música y pensamiento, para remover la conciencia afrodiaspórica, desde su amado Pacífico sur colombiano.

Imagen:
la imagen es del año 1975 en la ciudad de Cali y corresponde a la participación de Alicia en el Primer Encuentro Nacional de Población Negra Colombiana (realizado los días 21, 22 y 23 de febrero).

“O meu disco é melhor que o teu!” (2ª temporada): EP#6 Manuel Linhares “Suspenso” (2022) (álbum)

Manuel Fúria – Os Perdedores (2022) (álbum)

Perder é a Glória dos Bravos

“Eu sinto uma disposição/ Eu sinto uma inclinação/ Para falar, ouvir falar/Daquilo que amo”.
“Prece 909”, Os Perdedores

O disco mais pessoal de Manuel Fúria – ele que só sabe edificar uma arte assente na biografia. O passado quer-se arrumado em cima da cama como o vestuário que já não serve. Fúria decide catalogar a memória e arriscar a reinvenção. Ao banho de uma nostálgica melancolia, como aconteceu em périplos anteriores, prefere tentar uma catarse antes da luz.

Para isso, assume a dor da perda e a religião. Lembra mártires, denuncia massacres, nomeia a brevidade de tudo, homenageia um chão. Coloca na montra das lojas que já morreram destroços, raízes, o rosto de pessoas que foram decisivas, paisagens que determinam vidas.

“Os Perdedores” é o disco de uma banda de quem já teve uma banda. É nessa contradição que se cumpre e se transcende.

Reúne um punhado de canções de um rockeiro que adere à electrónica para dizer o tempo das guitarras. Uma electrónica sem heroísmos, que, ela própria, homenageia um cânone. Quase como um paradoxo, o sentido é o de densificar e convocar sombras. Para depois voltar a uma possibilidade, assente na glória de perder.

Músicas de quem já foi “o maior” e quer purgar a soberba e outros deslumbres. Canções de quem aceitou a escultura do tempo e procura formas de salvação possível ao gritar o nome dos amigos naufragados ou ao lembrar a infância, dividida entre a cidade e as serras, de “um menino de seu pai”.

“Os Perdedores” é o melhor título para um álbum musical-conceptual concretizado num tempo em que o triunfo mentiroso é o fetiche dominante. A autoria é apagada para dar lugar ao escândalo do anonimato.

Bravo gesto de quem se despede, acerta contas, paga dívidas, acorda noutra manhã. Que é como quem diz: de quem alinha os escombros e abre, com o destemor da fragilidade, as portadas do futuro.

The Voice Project – “Imprisoned For Art” #3

“Freedom of Expression—it’s easy to take it for granted until it’s gone. We speak up for those who speak out, for those imprisoned around the globe for having raised their voice in dissent. We have to stand up for each other, no matter the distance, no matter the borders. You never know when you’ll need the same in return” (Peter Gabriel, 2016)
(link: https://petergabriel.com/news/imprisoned-for-art/).

No dia 17/11/2016, Peter Gabriel lançou a campanha “Imprisoned For Art”, para defender artistas de todo o mundo que foram presos por se oporem aos seus governos através de sua arte.

Esta campanha parte da iniciativa chamada The Voice Project. O objetivo é defender a liberdade de expressão, aumentar a conscientização e angariar fundos para apoiar e libertar dissidentes e presos políticos. Para apoiar esta campanha, podem visitar o seguinte link: http://voiceproject.org

Hoje vamos ouvir uma seleção de artistas que estão atualmente presos em prisões de vários países do mundo. Segue a tracklist:

  1. Sherine – Daafy شيرين – ضعفي
  2. Hozan Canê Mihemedo
  3. Ferhat Tunç – Vay Aslanım Vay Civanım (1989)
  4. Eliyaas kifluu Seenaa Solomoon Heenook Joorji Fi Keeyeroon Darajjee new Oromo music (2015)
  5. Valtònyc – El món explotarà
  6. Vice Meets Valtònyc (entrevista)
  7. Valtònyc – Bailar en Tiempos de Guerra

André Santos – Embalo (2022) (álbum)

Neste Embalo, o guitarrista madeirense André Santos decidiu gravar um conjunto de sete canções sozinho à guitarra (e ao cordofone madeirense, Rajão, numa das faixas), apenas com uma excepção: convidou o seu amigo Salvador Sobral para dar voz à canção que encerra o disco – Jobim – uma ode à música brasileira, com música de André Santos e letra de Salvador Sobral.
Todos os temas são originais excepto Veneno de Moriana, um tema tradicional madeirense, para o qual André Santos fez novo arranjo.

«Este disco é um retrato fiel do músico que me sinto hoje em dia, fruto das muitas experiências musicais que vivi nestes últimos 6 anos desde que regressei de Amesterdão e gravei o meu último disco.

Logo à partida, no contacto mais profundo com a música tradicional madeirense e os seus cordofones, no projecto MUTRAMA; nos discos que gravei em parceria com o meu irmão Bruno, no projecto Mano a Mano e em muitos outros desafios, como guitarrista e director musical de vários projectos. 

Para este disco, gravei bem mais que 7 temas, e depois fui selecionando, retirando, reduzindo ao essencial. Meia-hora de música, em prol da cronologia deste Embalo.»

O disco estará disponível para venda e nas plataformas digitais do músico, a 7 de dezembro. O VIDEOCLIPE sai a 3 de dezembro.

ANDRÉ SANTOS

Mano a Mano · duo de guitarras com o irmão, Bruno Santos 4 discos
MUTRAMA · direção musical do projeto onde reinterpreta o cancioneiro tradicional da madeira
Salvador Sobral · Quinta das Canções · Paris, Lisboa, 2019 e BPM, 2021
António Zambujo, homenagem a MAX · direcção musical e guitarra
Maria João e Carlos Bica, quarteto
Cantigas de Maio · Com João Neves, Bernardo Moreira e Ricardo Dias
Joana Alegre · homenagem Manuel Alegre, com Camané, Jorge Palma, Agir, Ana Bacalhau, Cristina Branco – direcção musical e guitarra
Rita Dias · direção musical e guitarra

Outras participações (em disco e ao vivo): Carminho, António Zambujo, Joana Alegre, Diogo Picão, Teresinha Landeiro, Júlio Resende, Ricardo Toscano, Rita Redshoes, João Mortágua, Magano, Ana Moura, entre outros

Coffee Breakz #4

Porn Grenade – Troubles (2022) (single)

Olá somos uma banda independente de Stoner Rock originária de Lisboa. Heis um pouco da nossa história no multiverso da distorção:

Após o lançamento do seu EP homónimo em Maio de 2022 e de dois concertos físicos realizados em território luso: um na Fábrica do Braço de Prata em Lisboa e outro na Criarte Cascais Jovem em Carcavelos ano presente, e um concerto virtual em tempos de isolamento em 2021 gravado e transmitido no Youtube com a realização do jovem realizador Tiago Gameiro. Porn Grenade tem presenciado uma excelente recepção tanto da parte do público como de rádios emissoras e rádios online à volta do globo como Brasil, US, UK, Alemanha. Espanha, França, Austrália, Chile entre outros países (infelizmente em Portugal ainda não, mas a granada não perde a esperança).

É uma banda que parte na base do Stoner Rock, apesar de existirem anotações de outros estilos como: Blues rock, Prog Rock, Punk, Doom Metal entre outros estilos consoante as influências pessoais de cada músico do projecto, mas para tornar uma catalogalização simples e descomprometida é um projecto de Rock.

Dia 7 de Novembro estreou o 2º Videoclipe da banda com o tema “Troubles” presente no EP homónimo da banda e 4º single lançado pelas granadas.

“Troubles” conta a ansiedade e a depressão de uma geração que se formou ou se estava a formar em plena crise de 2008, que apesar de ser a geração com mais habilitações até a data viu os seus sonhos embargados por uma crise económica que herdou de gerações passadas.

Dado a esta narrativa e ao projecto ser uma banda independente, sem agenciamento ou mesmo label, os membros optaram por fazer uma mistura de vídeos cedidos pelo público durante as suas actuações e uma viagem que os dois membros fundadores do projecto: Pedro Chagas (Guitarrista) e Sérgio Cruz (Baterista), fizeram durante o Verão ao interior norte português, num mote de escapar à azáfama das vidas reais na grande cidade. 

A ideia é algo cru e real, rústico mas verdadeiro; de forma a demonstrar quão orgânica é a banda e que mesmo sem grandes recursos, se a vontade é fazer música, apenas é preciso abraçar aquilo que são e expor-se ao público no modo mais próximo possível, mesmo que toda a footage seja proveniente de smartphones, de amigos e fãs que tão amavelmente cederam ao projecto. Tudo isto montado com uma pegada estética dos videoclipes da década de 90.

A banda encontra-se em produção do próximo single e a preparar-se para o regresso aos palcos ainda este ano se possível já tendo algumas datas alinhavadas para o início de 2023.

Divulgamos a novidade que Porn Grenade apresenta um alinhamento novo, com novo baixista.
Bruno Fernandes que se junta assim ao malabarismo de granadas com: Pedro Chagas (Guitarra/Harmônica), Sérgio Cruz (Bateria/Back Vocals) Diogo Vasconcelos aka Double D (Voz) e Nuno Soares (Viola de Arco).


Linktree:
https://linktr.ee/porngrenadeofficial

Esperamos que gostem do nosso novo e humilde vídeo.

Videoclipe:
https://youtu.be/s8CR5mmEQ28

Entrevista Lusofonia Record Club (álbum de Letieres Leite e Orquestra Rumpillez)

Leo Motta comenta nesta entrevista sobre o primeiro aniversário da label Lusofonia Record Club, que se celebra com a reedição do disco de Letieres Leite e Orquestra Rumpillez, com título “Moacir de Todos os Santos”. A entrevista é interessante para perceber como funciona uma label, quanto é importante desenhar uma linha editorial e como se posicionar no mercado.

O disco Moacir de Todos os Santos é uma obra que já nasceu icónica, a reunir as composições do inigualável Moacir Santos à condução impecável de Letieres Leite, com os sons peculiares da sua Orkestra Rumpilezz, que esteve recentemente em digressão pela Europa. Trazer um disco desse, com participação de Caetano Veloso e introdução escrita por Gilberto Gil, é uma forma de fechar o nosso primeiro ano com chave de ouro. Com ele, encerramos 2022 com uma edição exclusiva para a Europa/UK que se junta aos discos de José Pinhal, David & Miguel, Nomade Orquestra, Luedji Luna e Monte Cara num ano de muito êxito e aprendizado. E este é apenas um pequeno teaser do que pretendemos fazer, cada vez mais e melhor, com o LRC daqui em diante.
 
Leo Motta, Lusofonia Record Club
 
Moacir de Todos os Santos de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, com edição prevista para 9 de Dezembro, é o vinil que encerra o primeiro ano de vida do Lusofonia Record Club em modo de celebração. Um disco icónico com a participação de Caetano Veloso e Raul de Souza e com texto da contracapa da autoria de Gilberto Gil.
 
“Alguns anos atrás, Letieres Leite reuniu em Salvador um grupo seleto e eclético de músicos, uns vinte e poucos, negros, mestiços e brancos – todos eles associados às vertentes mais populares ou mais clássico-eruditas da música que se faz na Bahia. Egressos das orquestras de concertos, dos conjuntos de baile, dos terreiros de candomblé, dos clubes musicais cultivadores do jazz e das vanguardas mais recentes do pop internacional, esses músicos se juntaram sob a regência de Letieres – ele, multiartista interessado em promover resgates e impulsionar avanços na música da Bahia e do Brasil”.
 
Inspirado no grande mestre pernambucano Moacir Santos, que o antecedera em algumas décadas nesse mister de estimular a fusão mais abrangente e profunda das linguagens nas músicas afro-americanas (a estadunidense, a cubana e brasileira), Letieres realizou, no breve período que a vida lhe concedeu, um trabalho de grande envergadura que deixa registrado agora neste disco que nos chega às mãos. Em torno de alguns conceitos amplos de ancestralidade e modernidade e de elementos rítmico-harmônico-melódicos de grande personalidade, Letieres nos oferece neste disco um pouco, um gosto, um gesto, um beijo do seu imenso legado.”
 
Gilberto Gil 
 
A Orkestra Rumpilezz, formada em 2006, lança Moacir de Todos os Santos, o último álbum gravado sob a batuta do seu fundador, Letieres Leite.
 
Letieres partiu abruptamente em Outubro do ano passado, aos 61 anos, quando o álbum estava a ser misturado. O alinhamento do disco contempla sete dos dez temas de Coisas (1965), estreia discográfica do maestro, compositor, arranjador e multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos (1926-2006). Raul de Souza (1934-2021) toca o seu magnífico trombone na “Coisa nº 4” e Caetano Veloso participa da faixa “Coisa nº 5 – Nanã” (parceria de Moacir com Mário Telles), cantando em inglês, segunda língua de Moacir, que morou décadas na Califórnia.
 
Moacir de Todos os Santos é um sonho que começou em 2018, nas gravações de O Enigma Lexeu. Duma conversa entre Letieres e Sylvio Fraga (Rocinante) resultou a ideia de transformar em disco um espetáculo que Letieres tinha dado com temas de Moacir. Foi necessário ampliar o estúdio na Serra Fluminense para oferecer condições ideais à Rumpilezz para gravar. O deck aberto que havia atrás do estúdio ganhou mais três salas, batizadas como Rum, Pi e Lé, os atabaques que nomeiam a orquestra.
 
Os sócios da Rocinante, Sylvio Fraga e Pepê Monnerat, não pouparam energia para registrar estas interpretações da melhor forma possível. Foram alugados microfones adicionais para que todos os instrumentos tivessem uma captação de máximo nível. Pepê decidiu colocar as três máquinas de fita, de 24 canais, a trabalhar ao mesmo tempo, algo até então inédito em gravações brasileiras. Tudo escrito e ensaiado, chegou a hora de aperfeiçoar a performance dos 22 músicos, – o maestro incluído, embocando a sua flauta em sol – da Rumpilezz.
 
“Letieres escreveu os arranjos deste disco em um só mergulho, sem consultar os originais, de tão profundamente que conhecia o ‘Coisas’, do Moacir. É um disco absolutamente raro em muitos sentidos. A conexão entre maestros negros geniais, a percussão com papel de protagonista numa orquestra, o conhecimento profundo dos ritmos das matrizes africanas permeando a construção dos sopros cosmopolitas, a dança como guia. E todo trabalho de Letieres é intrinsecamente ativista, colocando muitos pingos nos is em relação à importância incontornável que a música dos africanos escravizados tem na música brasileira. Não tenho dúvida que Letieres nos legou, com seu último disco, um dos trabalhos mais importantes do novo século na música brasileira”, diz Sylvio Fraga, com os ouvidos no futuro.
 
Moacir de Todos os Santos foi concebido, arranjado e regido por Letieres Leite, dirigido artisticamente por Letieres e Sylvio Fraga, produzido por Letieres, Sylvio e Pepê Monnerat e gravado por Pepê e Edu Costa no Estúdio Rocinante. O disco foi misturado por Pepê – exceto a faixa “Coisa nº 5”, misturada por Michael Brauer – e masterizado por Eric Boulanger (The Bakery).
 
Com a edição de Moacir de Todos os Santos, o ano de 2022 não podia acabar de melhor maneira para o Lusofonia Record Club, o primeiro clube de vinil por assinatura direcionado para a música lusófona (Portugal, Brasil e PALOP), cujo mercado principal é Portugal. Atua como uma editora focada no e-commerce, com modalidade de subscrição e alguns parceiros de distribuição. O clube funciona por subscrição mas também é possível a compra avulso.
 
Produz edições de alta qualidade, exclusivas e limitadas, acompanhadas com conteúdo editorial e prensadas em Portugal (Grama Pressing). Os discos trazem sempre algo de único: são inéditos em vinil, reedições de discos icónicos já raros ou edições especiais com novidades para os assinantes. O material impresso conta sempre um pouco sobre a história do lançamento, do artista e do contexto em que tudo aconteceu. Oferece uma experiência completa, da audição à narrativa, da história à colecção.
 
O Lusofonia Record Club pensa a lusofonia não como um conceito limitante ou um recorte controverso. Nasce justamente nesse espaço de diálogo, para valorizar a riqueza cultural e linguística destes universos ligados pela premissa lusófona. Abraça a multiplicidade dos dialetos que passa pelos sotaques brasileiros, os pesos e calões distintos do Norte ao Sul português, o charme verbal de cada ilha cabo-verdiana e a ancestralidade linguística dos PALOP.
Preservar e promover a herança cultural dos países lusófonos através das gerações é mais que uma missão: é o ADN do Lusofonia Record Club. Num contexto cada vez mais social e diverso, valoriza a verdadeira globalização, que floresce nas diferenças e brilha no valor da nuance. E se não há uma língua única, há entendimento e pertencimento de sobra.
 
Ao invés da produção de baixo custo, o Lusofonia Record Club opta por um caminho mais amigável ao social e ao ambiental. Prensam na Grama Pressing em Portugal, eliminando a logística internacional, usam energia verde no escritório e estudam ativamente formas de reduzir o impacto do clube.
 
O Lusofonia Record Club é um projecto de Léo Motta, Tomás Pinheiro e Jorge Falcão que surgiu no início de 2022 com a edição do Vol. I de José Pinhal, até então inédito em vinil, cuja edição esgotou nas duas primeiras semanas.
 
O clube baseia-se na confiança da curadoria e na aposta da diversidade nas edições. A missão é entregar discos que o assinante vai amar, seja de alguém de quem já se ouviu falar ou duma banda totalmente obscura. É a oportunidade perfeita para diversificar a coleção de discos e abrir a mente a novas músicas.
 
Um disco que receba os devidos cuidados tem tudo para viver ainda mais que o seu dono. Com um ciclo de vida longo e uma boa dose de carinho, os discos do Lusofonia Record Club vão passar de geração em geração.
 
O Lusofonia Record Clube teve início no âmbito do Programa StartUp Voucher, do IAPMEI, co-financiado pelo Compete 2020, Portugal 2020 e FSE.
 
https://lusofoniarecordclub.com/
https://www.facebook.com/lusofoniarecordclub
https://www.instagram.com/lusofoniarecordclub/
https://open.spotify.com/user/h8xzdhpeiooj4vjrhzx2nt5k6?si=74e3f70b53fe40a2
https://www.discogs.com/label/2575288-Lusofonia-Record-Club

Callaz – Am-Dram (2022) (single)

A música de Maria Soromenho diz Callaz à frente, pseudónimo com o qual assina o seu percurso artístico desde 2017. Aprendeu a misturar sons sozinha, dando à sua linguagem musical o barulho de fundo próprio da autonomia.

“Queima Essa Ideia” (2020), “Living in a Garage” (2021) e “Galazaar” (2022) são os títulos dos singles que compôs durante o tempo que esteve em Berlim, produzidos pela artista Ah! Kosmos. O quarto tema da
colaboração com a artista baseada em Berlim chama-se “Am-dram” e é agora apresentado como prelúdio da intenção de experimentar novas ideias na performance em palco.

O processo de Callaz na escrita e composição do tema “Am-dram” carrega as experiências da própria artista durante o Verão de 2022 passado em Antuérpia. Gravado e misturado num dia, no Fuu Studio Berlin e com teledisco realizado por Guilherme Valente, “Am-dram” é uma composição eletrónica, escrita em português, lo-fi, intensa e um prelúdio da intenção de experimentar novas ideias, tal co-mo o titulo sugere: “Amateur Dramatic”.

Callaz conta já com dois LPs e dois EPs, compostos e produzidos em diversos pontos da Europa e Estados Unidos, que têm subido aos palcos de tantas cidades como as que fazem parte da sua geografia afetiva e da história de cada uma das suas obras.

No primeiro EP, Beer, Dog Shit & Chanel N°5 (2017), coleção de cinco faixas produzida por Filipe Paes, estreia-se com um enredo aparentemente solarengo no qual picos de ansiedade, memórias turvas e afetos sobem ao palco sob um filtro retro. Sentem-se ecos do pesar melancólico de Nico e indícios de uma vontade pop experimental a que assistiríamos com The Space Lady.

Volvido um ano da sua estreia, Callaz edita o seu segundo EP Gaslight (2018), uma produção a cargo de Primeira Dama e Chinaskee, no qual se confirmam as ambições do primeiro EP. Tanto são aprofundados os devaneios e conclusões tirados a partir de experiências na primeira pessoa, como são poetizadas em canção figuras como Florbela Espanca ou Mary Landon Baker.

Após o lançamento de Gaslight, Callaz toca pela primeira vez fora de Portugal, em Los Angeles. É nesta viagem que começa a desenvolver a matéria prima que mais tarde se torna o seu primeiro disco. Inicia um longo processo de experimentação: as músicas são escritas ao longo de vários meses e exploradas ao vivo em vários sítios da Europa.

É nesse panorama que edita o auto-intitulado disco de estreia, Callaz (2020). Produzido em Lisboa por Adriano Cintra, agrupa dez temas numa cativante e imaginativa fusão de pop eletrónico e indie rock, com refrões incisivos e canções enraizadas na escuridão dançante a que já nos habituou.

No seu último disco, Dead Flowers & Cat Piss (2021), percorre o espectro que liga o pop eletrónico da pista de dança à sonoridade contemplativa de quem compõe sozinha no quarto. Produzido por Helena Fagundes, numa colaboração espontânea durante o confinamento, o disco junta 10 temas que revelam a vontade de experimentação, não só de ritmo e melodia, mas também de constante remodelação do seu processo criativo.

Callaz tocou ao vivo em Lisboa, Los Angeles, Malmö, Reykjavík, Berlim, Madrid, Bruxelas e fez uma digressão em Nova Iorque dando concertos em prestigiadas salas como The Bowery Electric e Rockwood Music Hall.

Coelho Radioactivo e Os Plutónios (EP)(2022)

“Passados quase oito anos do “Canções Mortas” lanço finalmente o meu terceiro disco acompanhado pelos meus queridos Plutónios, Carlos Rosário, Pedro Teixeira e Ricardo Barros. Foi dos discos que mais me
custou lançar cá para fora, passou por incertezas e incapacidades minhas, momentos em que parecia muito distante, e outros momentos em que parecia estar ali quase ao meu alcance. Por outro lado, foi o primeiro disco de Coelho Radioactivo feito na sua totalidade em partilha com outras pessoas. Coelho Radioactivo nasceu algures em 2007, por essa altura já tinha conhecido o Ricardo Barros e o Carlos
Rosário, no quinto e sétimo ano respectivamente. Pela altura do lançamento do meu primeiro EP, em 2009, eles tinham uma banda chamada Triple Plug, com outros amigos, entre os quais Pedro Teixeira. Quando surgiu a possibilidade de ir tocar ao festival termómetro achei que o melhor seria ir acompanhado de uma banda, fiz o convite aos três ilustres acima mencionados, e estavam assim nascidos Os Plutónios.
Continuámos obviamente com a colaboração, às quatro músicas que aprendemos primeiro fomos acrescentando outras, eu trazia uma música de Coelho já feita, e fazíamos um novo arranjo à banda de
rock, guitarra eléctrica, baixo, teclado e bateria; algumas músicas chegavam a ter até mais de uma versão ao longo do tempo, conforme o que andávamos a ouvir e a tocar. Eventualmente começámos a ter uma
linguagem mais definida, e foi aí que começaram a surgir as músicas deste disco, músicas que agora só fazem sentido quando tocadas por esta banda, e que não teriam grande piada se eu as tocasse sozinho.
Depois da gravação das bases das canções, o disco entrou no campo do Production Hell, regravaram-se instrumentos, regravaram-se vozes, reescreveram-se letras, cortaram-se músicas, perderam-se ficheiros, foise perdendo e ganhando ânimo, e desistindo e voltando ao disco.
Finalmente, passados 8 anos lá conseguimos lançar um disco com o qual estamos contentes, não sem a ajuda de amigos que foram passando pelo estúdio e dando umas palavras de apoio, uns ouvidos amigos e umas vozes afinadas, entre os quais estão claro a Catarina Branco e o Luís Severo que numa visita a Aveiro passaram pelo estúdio e acabaram a gravar uns coros surpresa na Falamos do Escuro. Acabo este texto com um agradecimento a todos os que fizeram parte deste disco, directa ou indirectamente.

Coelho Radioactivo e Os Plutónios – Coelho Radioactivo e Os Plutónios (EP)(2022)

1 Perdidos

  1. Anda Vai Prá Cama
  2. Mão Luminosa
  3. Fuckuldade
  4. Falamos Do Escuro
  5. Já Não Tenho Tempo
  6. Pedra Solta
  7. Não Esperes Por Mim

Coelho Radioactivo e Os Plutónios:
João Sarnadas – Guitarra, Órgão, Baixo, Voz
Carlos Rosário – Sintetizador, Teclados, Voz
Pedro Teixeira – Bateria
Ricardo Barros – Baixo

Convidados:
Catarina Branco – Voz em “Falamos do Escuro”
Luís Severo – Voz em “Anda Vai Prá Cama”
e “Falamos do Escuro”
Captação – João Sarnadas
Misura – João Sarnadas & Rafael Silva
Masterização – Rafael Silva
Arte Gráfica – Rubber Mirror

António Vale Da Conceição – AT YOUR SERVICE, MA’AM 2 (2022)(EP)

At your service, ma´am 2 (AYSM2) é o nome do EP sequela de António Vale da Conceição com edição marcada para 2 de Dezembro. O produtor e compositor traz-nos a conclusão à sua colecção de músicas At your service, ma´am com 7 temas que prometem manter o calor do Verão pelo Outono e Inverno dentro.

O que soava à banda sonora de um filme policial/ cómico/ romântico revela-se nesta sequela um filme, afinal, mais maduro e espiritual. AYSM2 debruça-se sobre uma paleta de estilos que oscilam entre o pop gingão, o Cha-Cha (50s & 60s) e as vozes de um coro clerical ou tribal. Mas não são só canções. São histórias, montagens áudio (do que parecem ser arquivos de televisão, gravações pessoais, depoimentos policiais…).

António Vale da Conceição já nos tem vindo a habituar a um filtro cinematográfico na sua música e este EP é, sem dúvida, um aprofundamento dessa assinatura ao explorar sentimentos, moods, personagens que vão além do enamorado/a, dos amores perdidos ou achados. AYSM 2 fala-nos de desafiar a monotonia, de confiança, de libertação espiritual, de “olhares largos” como nos diz na canção “Confidance” (Dança da confiança).

Eis o final de AYSM!

BIOGRAFIA ANTÓNIO VALE DA CONCEIÇÃO
António Vale da Conceição é o nome do autor do EP At your service, ma´am. O Produtor e Músico de Macau, integrante da banda Turtle Giant, é agora residente em Portugal e exerce os papéis de compositor de bandas sonoras e produtor de projectos diversos.
Desde 2011 que António Vale da Conceição integra a banda Turtle Giant, o trio de rock de Macau que se veio a internacionalizar em 2009 com o seu o primeiro álbum Feel to Believe, onde temas como “Sunlight” foram usados em séries Norte Americanas como Ghost Whisperer e 90210. De seguida lançam em 2011 o EP All Hidden Places, agora já com Conceição. O EP reclamou espaço no círculo musical Norte Americano, fazendo-se ouvir em estações de Rádio como KEXP e em filmes como 10000 Saints de Ethan Hawke, estreado em 2015 no Sundance Film Festival. Foi também com esse EP que ingressam numa tour Norte Americana onde tocam no SXSW (South by Southwest), em Austin, Texas, no palco da KEXP e no Toronto Music Week.
Ainda em 2015 Turle Giant lançam o seu álbum Many Mansions part 1 com o tema “Georgie” a destacar-se com a integração na série Super Girl da CBS e CW, agora disponível na Netflix, e com o tema “Orange Grape” destacado na série Chicago Fire da NBC.
Conceição é também autor de temas e bandas sonoras para Cinema e Televisão, destacando-se na relação próxima com o realizador António Caetano Faria, assinando a música dos seus filmes RUTZ, O Cravo, INA e, em 2021, A beautiful game – um filme que conta a história de um menino de Macau que aspira jogar no Benfica em Portugal, inspirado pela figura do grande “Pantera Negra”, Eusébio da Silva Ferreira.
Em 2021, António Vale da Conceição lança o seu primeiro álbum de piano Four Hands Piano, disponível no Spotify e qualquer outra plataforma, um conjunto de temas para filmes não utilizados recuperados da gaveta.
É igualmente em 2021 que Conceição realiza e compõe a música para o documentário Beyond the Spreadsheet: The Story of TM1, um documentário que conta a história de vida e contributo tecnológico de Manny Pérez – o génio matemático que criou em 1983 a tecnologia que permitiu ao mundo efectivamente lidar com a complexidade de dados no mundo – A Base de dados Funcional (ou o Excel em esteróides). O documentário foi vencedor do Festival Internacional de Cinema de Anatolia, Turquia 2021 e Selecção Oficial do OFF Berlin e Madrid, e do Portland Film Festival 2021.

Site:
www.antoniovaledaconceicaomusic.com
Instagram: https://www.instagram.com/iamantonioconceicao/
Shop: https://thedonutworks.threadless.com
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC1DyVIGoq0-Vt06WASrSjhA
Spotify: https://open.spotify.com/artist/0O6mVy6NiE9cigEcv0rd29?si=AFekjtGlSXSkuDC6JjYcog
IMDB – https://www.imdb.com/name/nm5482868/