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24.05.2025

Luca Argel – Tempo de Amor (2025) (single)

Luca Argel – Tempo de Amor (2025) (single) 

Para uma leitura antimachista de Vinicius de Moraes

Novo álbum de Luca Argel, “Meigo Energúmeno” (2025), realiza uma releitura de seis obras do repertório de Vinicius de Moraes, propondo uma audaciosa revisão crítica para as suas canções. Lançado pela Aurita Records, o álbum chega às plataformas de streaming no dia 09 de maio.

Pode-se dizer que a música popular brasileira moderna se funda em meados dos anos 1950, quando do encontro de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. A união destes dois artistas fez nascer um tipo de canção no Brasil que, não apenas mudou toda a história da música no país, mas também, no mundo. A bossa-nova foi o gênero que, a um só tempo, internacionalizou a música brasileira (impactando diretamente estéticas em formação pelo globo) e, aqui dentro, reorientou tudo o que seria feito nas décadas seguintes – repercutindo sua influência para áreas as mais diversas, como a política, o cinema e a arquitetura. E a importância do Poetinha para tanto foi seminal: poeta excelso, suas letras inauguram uma nova forma de se fazer canção, através de uma produção ímpar que vai construir noções de sofisticação, modernidade e delicadeza entre nós. Mas… E se, engendrado no interior dessa grande revolução, repousasse intacto o machismo do autor? Estivemos todo esse tempo de olhos e ouvidos resistentemente fechados para essa dimensão?

Esse é o esforço de releitura que nos propõe Luca Argel no seu mais recente lançamento, “Meigo Energúmeno”. Fruto de sua pesquisa para dissertação de mestrado pela Universidade do Porto, em Portugal, acabam de chegar ao mercado brasileiro disco e livro. O livro (“Meigo Energúmeno – Notas para uma leitura antimachista de Vinicius de Moraes”, Editora Urutau) é um ensaio onde o autor vai se debruçar sobre a obra de Vinicius em busca de explorar uma nova interpretação dos seus textos. Embasado em referências teóricas feministas, Luca vai nos apresentar uma outra face da obra de Moraes, sem com isso desmerecer sua profícua contribuição para o cenário cultural brasileiro e internacional. O disco, por sua vez, poderia ser apenas uma guia que nos conduzisse

conforme lemos, iluminando certos argumentos, certas percepções. Mas não. Luca Argel em seu “Meigo Energúmeno” nos oferece uma reinterpretação corajosa de uma obra tão insistentemente regravada. Seu olhar prismático traz para esse repertório uma perspectiva nova, fresca. Fato que desperta em nossas escutas, ainda uma vez mais, algo extraordinário, ou espantoso a respeito desse importante cancioneiro.

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